Ibovespa cai com incerteza sobre negociações entre EUA e Irã; 5 coisas para saber antes de investir hoje (21)
O Ibovespa (IBOV) acompanha o humor do exterior e retoma o tom negativo em meio a incertezas geopolíticas. O cenário eleitoral continua no radar.
Por volta de 10h10 (horário de Brasília), o principal índice da bolsa brasileira operava em queda de 0,64% aos 176.228,08 pontos.
O dólar à vista opera em alta ante o real, na esteira do desempenho da moeda no exterior. No mesmo horário, a moeda subia a R$ 5,0159 (+0,25%). Já o DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas fortes, tinha avanço de 0,26%, aos 99.354 pontos,
5 assuntos para saber ao investir no Ibovespa nesta sexta-feira (15)
1 – Crise de Flávio Bolsonaro
O coordenador de comunicação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência, Marcello Lopes, deixou o cargo nesta quinta-feira. Ele será substituído pelo publicitário Eduardo Fischer.
A mudança acontece em meio à crise gerada pela reportagem do Intercept Brasil, que noticiou o pedido de Flávio de R$ 134 milhões ao dono do Master, Daniel Vorcaro, para o filme ‘Dark House’, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
2 – Petrobras (PETR4) adere à subvenção de combustíveis
O conselho de administração da Petrobras (PETR4) aprovou a adesão da companhia à subvenção econômica aos produtores e importadores de combustíveis derivados de petróleo.
A subvenção econômica, prevista na Medida Provisória (MP) nº 1.358, trata de valores sobre a produção e a importação de gasolinas e de óleo diesel de uso rodoviário, nos termos da legislação vigente. O mecanismo prevê devolução de tributos para os produtores e importadores de gasolina e diesel.
A medida viabiliza reajuste nos preços de combustíveis pela Petrobras com menor impacto nas bombas, em meio à pressão causada pela alta do petróleo. Segundo a estatal, tendo em vista o caráter facultativo e o potencial benefício, a compreensão é de que essa adesão é compatível com o interesse da companhia.
3 – Juros altos por mais tempo nos EUA
Ontem (20), a ata da última decisão do Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) reconheceu que a inflação pode levar mais tempo para retornar à meta de 2% e reforçaram a percepção de juros altos por mais tempo (“higher for longer”).
Os dirigentes também afirmaram que a continuidade da inflação elevada, somada às incertezas geopolíticas, “poderia exigir a manutenção da atual postura de política monetária por mais tempo do que o antecipado anteriormente”.
A ata ainda destacou que “quase todos os participantes” enxergaram risco do conflito no Oriente Médio se prolongar, mantendo os preços do petróleo e de outras commodities elevados “por mais tempo do que o esperado”. Nesse cenário, os dirigentes avaliaram que interrupções nas cadeias globais de suprimento e o repasse de custos maiores poderiam continuar pressionando a inflação.
Hoje, o mercado já precifica a retomada do aperto monetário ainda neste ano. A ferramenta FedWatch, do CME Group, aponta 58% de chance de o Fed elevar os juros na última decisão de 2026, em dezembro. Não há expectativa de corte nos juros até o fim de 2027.
4 – Europa tem pior desempenho em mais de dois anos
A atividade econômica da zona do euro encolheu pela taxa mais acentuada em mais de dois anos e meio em maio, uma vez que um aumento nos custos de vida impulsionado pela guerra prejudicou a demanda por serviços e levou a inflação geral de preços de insumos ao seu ponto mais alto em três anos e meio.
O Índice de Gerentes de Compras (PMI) Composto preliminar da zona do euro, do S&P Global, caiu de 48,8 em abril para 47,5 em maio – leitura mais baixa desde outubro de 2023 – e abaixo da projeção em uma pesquisa da Reuters, que não previa nenhuma mudança em relação a abril.
A leitura marcou o segundo mês consecutivo de contração no setor privado do bloco.
Um PMI abaixo de 50,0 indica retração da atividade.
5 – Todos os olhos no Oriente Médio
Segundo informações da Reuters, o líder supremo do Irã emitiu uma diretriz para que o urânio do país, com grau de pureza próximo ao de armas, não seja enviado para o exterior, endurecendo a posição de Teerã em relação a uma das principais exigências dos EUA nas negociações de paz.
Autoridades israelenses disseram à agência de notícias que o presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu a Israel que o estoque de urânio altamente enriquecido do Irã, necessário para fabricar uma arma atômica, será enviado para fora do país e que qualquer acordo de paz precisa incluir uma cláusula sobre o tema.
Israel, Estados Unidos e outros países ocidentais há muito tempo acusam o Irã de buscar armas nucleares, inclusive apontando para sua iniciativa de enriquecer urânio a 60%, muito mais do que o necessário para usos civis e mais próximo dos 90% necessários para uma arma. O Irã nega a busca por armas nucleares.
Na véspera, Trump disse a repórteres que o governo estava nos “estágios finais” das negociações de paz com o Irã.
Com a renovação das incertezas, os preços do petróleo voltaram a subir. Por volta de 10h (horário de Brasília), os contratos mais líquidos do Brent, referência para o mercado internacional, para julho subiam 2%, a US$ 107,17 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Já os contratos do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para julho tinham alta de 2,76%, a US$ 100,98 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA.
*Com informações de Reuters