Trump cancela ataques contra Irã e mercados reagem
No início da tarde desta quinta-feira (11), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cancelou ataques planejados contra o Irã nesta noite.
“Com base no fato de que as discussões com a República Islâmica do Irã foram levadas ao mais alto nível da liderança iraniana e aprovadas, eu, como presidente dos Estados Unidos da América, cancelei os ataques e bombardeios programados contra o Irã para esta noite”, escreveu Trump em uma publicação no Truth Social.
Trump disse que “as discussões e os pontos finais” foram aprovados pelos Estados Unidos, Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Turquia, Paquistão, Barein, Kuweit, Jordânia, Egito e outros.
O acordo, porém, ainda não foi assinado e o bloqueio naval no Estreito de Ormuz permanece em vigor.
“O bloqueio naval permanecerá em pleno vigor e efeito até que esta transação seja finalizada — a data e o local da assinatura serão anunciados em breve”, disse ele.
O movimento acontece horas depois de Trump ameaçar o país persa com mais bombardeios e manifestar a intenção de “tomar” a Ilha iraniana de Kharg, importante centro de exportação de petróleo.
De acordo com informações da CNN, o presidente norte-americano ficou irritado por considerar que Teerã e a imprensa não enxergaram os recentes ataques norte-americanos como suficientemente poderosos.
Em resposta às ameaças de Trump, o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, alertou que uma escalada militar pelos Estados Unidos poderá atingir a infraestrutura energética e os mercados globais.
Em publicação no X, Ghalibaf afirmou que “estratégias equivocadas e decisões impulsivas vão reiniciar todo o tabuleiro para pior, explodir a infraestrutura e os mercados de energia e criar um atoleiro sem fim”. Segundo ele, os EUA poderiam ficar presos ao conflito por anos e, nesse cenário, “verão um Irã diferente”.
A advertência foi reforçada por Ebrahim Azizi, presidente da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano. Durante cerimônia em homenagem ao ex-chefe das Forças Armadas Mohammad Bagheri, Azizi afirmou que o Irã dará uma resposta firme a qualquer ação ou ameaça contra o país.
Mercados reagem
Logo após a publicação de Trump, os índices de Wall Street passaram a subir mais de 1%. Por volta de 14h40 (horário de Brasília), o S&P 500 subia 1,14%, aos 7.350,15 pontos; Dow Jones tinha alta de 1,50%, aos 50.667,56 pontos, e Nasdaq avançava 1,54%, aos 25.557,988 pontos.
A promessa de assinatura de acordo, por outro lado, derrubou os preços do petróleo. Por volta de 15h (horário de Brasília), os contratos mais líquidos do Brent, referência para o mercado internacional, para julho caíam 3,03%, a US$ 90,30 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Já os contratos do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para julho tinham recuo de 2,70%, a US$ 87,60 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA, no mesmo horário.
Já no mercado de câmbio, o dólar perdeu força ante as moedas globais, como euro e libra, com o DXY voltando ao nível de 100 pontos. Já na comparação com o real, o divisa norte-americana recua mais de 1%, na casa de R$ 5,10, no mercado à vista.