Um fator deve aliviar o IPCA-15 de maio, mas serviços seguem no radar do BC
A prévia da inflação de maio, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), deve desacelerar com o alívio do item gasolina, que pressionou a última leitura do índice em meio à guerra no Oriente Médio.
Após avançar 0,89% em abril, as estimativas do mercado variam de alta de 0,44% a 0,68% na leitura de maio, o que indica uma desaceleração do IPCA-15.
O que esperar do IPCA-15 de maio?
Segundo o time de macroeconomia do Banco Daycoval, liderado pelo economista-chefe Rafael Cardoso, o IPCA-15 deve registrar alta de 0,53%, ainda com pressão de alimentos — em especial itens in natura, leite, ovos de galinha, arroz e carne vermelha —, passagens aéreas e energia elétrica.
Assim como o Daycoval, a Warren Investimentos estima desaceleração do IPCA-15 a 0,56% em maio, com a moderação dos preços administrados pela queda de gasolina e bens industriais.
A expectativa do Daycoval também é de que o alívio desta leitura venha de preços administrados, com destaques para a deflação em gasolina e alta menor em medicamentos após reajuste anual no mês anterior. “A energia elétrica residencial mais elevada em função de acionamento da bandeira tarifária amarela é o principal vetor altista dos administrados”, afirma o banco.
Além disso, o banco considera que os bens industriais devem desacelerar em relação ao mês anterior, como reflexo da queda do etanol e da alta menos intensa em vestuário.
Para 2026, o Daycoval estima que a inflação seja de 4,7%, mas alerta que a projeção tem viés de alta devido ao conflito no Oriente Médio e à crescente probabilidade de um El Niño mais intenso no segundo semestre.
E os serviços?
No cenário do Daycoval, os serviços devem voltar a acelerar com o aumento dos preços de passagens aéreas, alimentação fora do domicílio e itens mais sensíveis à atividade econômica, como intensivos em trabalho.
“Apesar de o grupo de serviços estar em patamar mais baixo, os itens mais sensíveis à atividade econômica, como os intensivos em trabalho, devem seguir pressionados”, detalha o banco.
Consequentemente, os serviços subjacentes devem seguir em patamar elevado e continuam como um “desafio” para o Banco Central (BC), segundo o Daycoval, passando de 0,45% em abril para 0,52% agora.
A Warren também prevê que os serviços avancem de 0,07% na leitura do IPCA-15 em abril para 0,50% em maio. No entanto, os serviços subjacentes, na avaliação da corretora, tendem a perder força, desacelerando para 0,38%.