Economia

Tarifaço de Trump: empresários do Brasil e dos EUA pressionam governos por negociação

10 jul 2026, 18:01 - atualizado em 10 jul 2026, 18:01
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(Imagem: tzahiV/Getty Images Signature)

Empresários brasileiros e norte-americanos intensificaram a pressão sobre os governos dos dois países para tentar reverter a tarifa adicional de 25% anunciada por Donald Trump sobre produtos brasileiros.

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A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) e a U.S. Chamber of Commerce enviaram uma carta conjunta a autoridades brasileiras e norte-americanas propondo uma agenda de negociação para reduzir os impactos da medida.

No Brasil, o documento foi enviado ao ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcos Elias Rosa, e ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Nos Estados Unidos, a carta foi direcionada ao secretário de Estado, Marco Rubio, e ao embaixador Jamieson Greer.

A mobilização ocorre após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) anunciar, em junho, a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e abrir uma investigação sobre práticas comerciais adotadas pelo Brasil. O órgão norte-americano afirma que algumas dessas práticas seriam “irrazoáveis, discriminatórias ou restritivas” ao comércio dos EUA. A conclusão da investigação é esperada para a próxima terça-feira (15).

Na carta, as entidades defendem que as negociações avancem em duas etapas. A primeira seria voltada para medidas de curto prazo, concentradas em temas considerados prioritários para ampliar o comércio bilateral.

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Entre as propostas estão a redução de barreiras para insumos industriais, bens de capital, equipamentos destinados à expansão de data centers e da infraestrutura de inteligência artificial, além de maior cooperação regulatória nos setores automotivo, farmacêutico, de saúde animal e de dispositivos médicos.

O documento também propõe acelerar a análise de pedidos de patentes no Brasil, especialmente nas áreas de saúde e biofarmacêutica, ampliar a cooperação em minerais críticos e implementar o Protocolo Anticorrupção previsto no Acordo de Cooperação Econômica e Comercial (ATEC).

Em um segundo momento, a sugestão é ampliar a agenda bilateral para temas estratégicos, como economia digital, comércio eletrônico, inovação, segurança energética e segurança alimentar. Segundo as entidades, uma negociação gradual pode fortalecer a confiança entre os dois países, aumentar a competitividade das empresas e criar bases para uma cooperação econômica mais ampla.

Além das associações empresariais, grandes companhias norte-americanas também apresentaram manifestações ao USTR pedindo ajustes na proposta de tarifas.

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A Coca-Cola solicitou que insumos de laranja e limão importados do Brasil sejam isentos da cobrança, argumentando que substituir esses fornecedores não seria viável no curto prazo.

Já a Tesla afirmou apoiar iniciativas para fortalecer a indústria americana, mas destacou que a transição para cadeias de suprimentos mais concentradas nos Estados Unidos exigirá tempo, uma vez que diversos componentes fornecidos pelo Brasil ainda não possuem alternativas competitivas no mercado norte-americano.

O eBay também pediu mudanças na medida para excluir produtos usados e seminovos das tarifas. Segundo a empresa, a taxação de itens revendidos no mercado secundário não contribui para corrigir eventuais distorções comerciais nem atinge os fabricantes originais dos produtos.

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