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Ações da Azzas 2154 (AZZA3) disparam 10% com potencial venda da Farm Rio no radar; o que agradou?

22 jun 2026, 11:04 - atualizado em 22 jun 2026, 11:05
azzas 2154
Na esquerda, Roberto Jatahy (Grupo Soma) e na direta Alexandre Birman (Arezzo) (Imagem: Imagem: Reprodução/Instagram)

Em meio ao conflito entre Alexandre Birman e Roberto Jatahy na Azzas 2154 (AZZA3), o futuro da marca Farm Rio tomou os holofotes. Na sexta-feira (19), a companhia confirmou a contratação do Morgan Stanley para assessorar a avaliação de alternativas estratégicas envolvendo os ativos relacionados à marca,“com o objetivo de destravar valor”, o que inclui uma possível venda no mercado internacional.

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Vale destacar que até o momento não há decisões estruturadas sobre a potencial operação.

A marca pode ser avaliada em cerca de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,2 bilhões). Como referência, o valor de mercado atual da Azzas é de aproximadamente R$ 3,6 bilhões.

Embora os demonstrativos financeiros detalhados da Farm não sejam divulgados publicamente, o Bradesco BBI realizou uma análise preliminar com base em receita líquida divulgada para 2025 de R$ 3,4 bilhões; margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) entre 15% e 20%; e múltiplos EV/Ebitda de pares internacionais nos últimos 12 meses.

“Com base nisso, consideramos a avaliação implícita de R$ 5,2 bilhões como, de modo geral, razoável”, dizem os analistas.

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Na leitura do BBI, o debate em torno de uma potencial venda pode dar suporte ao desempenho das ações da Azzas, especialmente no caso da Farm Rio, por ser a marca de crescimento mais acelerado do portfólio e, possivelmente, o ativo com maior potencial de geração de valor.

“Por outro lado, o valor estrutural das marcas que permaneceriam no portfólio da Azzas pode continuar sob maior escrutínio do mercado, o que tende a manter pressão sobre os múltiplos da ação por mais tempo. Além disso, desafios internos recorrentes e o fluxo intenso de notícias podem seguir limitando a visibilidade sobre a direção estratégica da companhia e suas perspectivas de resultados”, avalia a casa.

Nesta segunda-feira (22), as ações AZZA3 operam na ponta positiva do Ibovespa (IBOV). Por volta de 10h50 (horário de Brasília), o avanço era de 10,76%, R$ 19,45. Acompanhe o tempo real.



O JP Morgan destaca a Farm Rio como o principal motor de crescimento da Azzas e seu principal vetor de internacionalização, com presença direta nos Estados Unidos e na Europa.

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“Fazendo uma estimativa rápida e aproximada — usando R$ 3,74 bilhões de vendas brutas em 2026 (cerca de R$ 3,07 bilhões líquidas), margem Ebitda em torno 18% e um múltiplo de 8 a10 vezes EV/Ebitda— a Farm Rio poderia valer cerca de ~R$ 4,4–5,5 bilhões, ou mais de 120% do valor de mercado da Azzas (~R$3,6 bilhões), que tem sido pressionado por questões de governança e execução”, dizem os analistas.

Dessa maneira, a avaliação do banco é que uma eventual monetização desse ativo poderia destravar valor relevante para as ações. No entanto, ao mesmo tempo, existem riscos de que a arbitragem entre os dois principais acionistas sobre estratégia e estrutura de gestão possa contaminar o ativo e seu desempenho.

“Nesse contexto, vale destacar que a Farm Rio é majoritariamente administrada de forma independente dentro do grupo pelos seus fundadores, Sra. Kátia Barros e Sr. Marcello Bastos, que, segundo nossas estimativas, possuem participação combinada em torno de 3–4% na Azzas e provavelmente estariam dispostos a sair do grupo diante dos problemas de governança mais amplos”, diz o JP Morgan.

Potencial operação chama atenção

Para a XP Investimentos, a potencial venda da FarmRio tem como principal questão o valuation. Com base em nossa análise de sensibilidade, a casa estima um intervalo entre US$ 360-900 milhões (ou R$ 9,8-22,5 por ação).

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“Já vimos essa história antes com a Natura e esperamos que o desempenho da ação da Azzas seja cada vez mais direcionado por notícias incrementais sobre potenciais compradores e termos de valuation“, dizem os analistas.

Ainda que não esperem dos investidores uma precificação total desse evento antes de notícias mais concretas, o fluxo de notícias pode chamar a atenção dos investidores para o valuation atual da companhia, enquanto a transação poderia representar um passo relevante rumo a uma resolução entre os acionistas controladores.

O Citi pontua que, embora exista um processo em curso, uma venda direta ainda é apenas uma das possíveis alternativas.

“Uma venda para um comprador estratégico global provavelmente justificaria um múltiplo mais alto em relação ao nosso cenário de spin-off, refletindo sinergias potenciais, escalabilidade da marca e opcionalidade de crescimento internacional”, diz o banco.

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A briga na Azzas 2154

Em meados de março de 2025, um possível “divórcio” entre os empresários à frente da Azzas começou a ganhar força no mercado.

Questões relacionadas à forma de gestão e autonomia que detinham à frente de seus respectivos negócios foram entraves para os empresários — o que vinha travando também a integração entre Arezzo e Grupo Soma, combinadas em agosto de 2024.

Em maio, a varejista tornou pública uma série de demandas societárias envolvendo os empresários Roberto Luiz Jatahy Gonçalves (Grupo Soma) e Alexandre Café Birman (Arezzo), relacionadas à estrutura organizacional das unidades de vestuário feminino e masculino da companhia.

Entre as ações divulgadas, Roberto Jatahy ajuizou, em 8 de maio, uma medida cautelar na 7ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ).

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O executivo pediu a manutenção da estrutura organizacional vigente antes de 22 de abril, além da preservação de seu cargo como Chief Brand Officer e da responsabilidade pela gestão das unidades de vestuário feminino e masculino.

A liminar foi concedida em primeira instância, determinando a manutenção da estrutura organizacional anterior e a permanência de Jatahy na função. Posteriormente, a 16ª Câmara do TJRJ negou o pedido de efeito suspensivo apresentado em agravo de instrumento, mantendo a decisão liminar.

Além da ação judicial, Roberto Jatahy protocolou, em 15 de maio, um requerimento de arbitragem na Câmara de Arbitragem do Mercado (CAM).

No procedimento, o executivo pede a declaração de ilegalidade de atos de reorganização interna adotados por Alexandre Birman na condição de diretor-presidente da companhia, além da adoção de procedimentos específicos para aprovação dessas mudanças e reparação de supostos prejuízos à empresa.

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Por outro lado, Alexandre Birman também apresentou requerimento de arbitragem contra Roberto Jatahy, no dia 14 do mesmo mês.

Na arbitragem, Birman alega que ações e posicionamentos de Jatahy relacionados aos recentes eventos envolvendo a estrutura organizacional da companhia teriam violado dispositivos do acordo de acionistas e do estatuto social da empresa, especialmente em relação às prerrogativas do CEO.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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