Ações da Natura (NATU3) sobem até 6% mesmo após previsão de queda na receita; JP Morgan mantém compra, mas acende alerta
As ações da Natura (NATU3) operam na ponta positiva do Ibovespa (IBOV) no pregão desta quarta-feira (8), após a companhia de cosméticos divulgar dados preliminares do segundo trimestre de 2026 (2T26) que antecipam uma potencial queda na receita líquida consolidada do período.
De acordo com a divulgação preliminar e não auditada, a receita é estimada entre R$ 5,1 bilhões e R$ 5,2 bilhões, implicando uma redução anual entre 9% e 10%.
Na avaliação do Citi, do lado positivo os negócios hispânicos seguem com crescimento consistente em todos os países em que opera, embora o impacto das interrupções operacionais pareçam piores do que o esperado.
O potencial resultado divulgado pela Natura está cerca de 6% abaixo das expectativas já modestas tanto do JP Morgan quanto do consenso do mercado.
Para a equipe de analistas do JP Morgan, liderada por Joseph Giordano, embora a companhia tenha sinalizado que a margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) reportada deva crescer em relação ao trimestre anterior, os riscos de revisão para baixo das expectativas permanecem relevantes, dada a forte frustração na receita.
“Em resumo, apesar do desempenho fraco recente das ações, acreditamos que os papéis devem continuar pressionados, principalmente porque o comunicado não esclareceu se os problemas de falta de produtos e da implementação do sistema SAP já foram resolvidos”, ponderam.
Os analistas destacam que a posição vendida nas ações (short interest) e o custo para aluguel dos papéis seguem elevados, o que pode gerar algum movimento de recompra de posições vendidas (short covering) neste momento.
Logo após a abertura do pregão, as ações da Natura chegaram a cair 4,35%, no entanto, inverteram o sinal para alta. Por volta de 12h50 (horário de Brasília), as ações subiam 4,10%, cotadas a R$ 8,38. Na máxima até esse horário, o avanço chegou a 6,58%. Acompanhe o tempo real.
O JP Morgan pontua que Natura negocia a 8,5 vezes e 6,5 vezes o lucro projetado (P/L) para 2026 e 2027, respectivamente. Além disso, considerando que a Advent adquiriu a participação previamente acordada com os fundadores e acionistas controladores, garantindo dois assentos no conselho de administração, mudanças estratégicas podem ser anunciadas quando a gestora começar a influenciar os rumos da companhia por meio dessas cadeiras.
O JP morgan mantém a recomendação Overweight (equivalente à compra), sustentada pelas perspectivas de forte geração de caixa livre (FCF yield de 13%), apesar dos resultados fracos no curto prazo.
“No entanto, a execução e as tendências operacionais vieram piores do que o esperado, elevando nosso nível de preocupação em relação às perspectivas da empresa”, afirmam os analistas.
A divulgação completa dos resultados do segundo trimestre de 2026 da Natura está prevista para 10 de agosto.
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O que impacta a Natura?
Adiantando um número possivelmente pior do que o aguardado pelo mercado, a Natura atribui esse cenário de pressão a cinco principais acontecimentos.
O primeiro deles é a escassez de produtos em meio à estabilização do novo sistema de planejamento Integrado, atualização do sistema SAP da companhia e relocação de volumes da recém-fechada fábrica de Interlagos.
“A escassez de produtos, somada a um cenário macroeconômico desafiador, levou a uma queda importante de volume no canal de venda por relações. Essa queda traduziu-se em redução anual na atividade e produtividade das consultoras, insuficientemente compensada pela recuperação do canal observada na comparação trimestral”, diz a Natura.
A companhia menciona ainda a implementação de políticas de preços e regras comerciais entre canais, que levou a uma desaceleração de curto prazo no canal online, além da Transição de 100% dos contratos de franquia para um novo modelo que alinha os interesses do franqueado e do franqueador com base nas vendas sell-out.
“Essa transição levou a uma redução momentânea de estoques nas lojas franqueadas e consequente desaceleração nas vendas para as franquias (sell-in)”, argumenta a empresa.
Por fim, a Natura destaca o descasamento temporário de tributos, com efeito concentrado no segundo trimestre do ano.
Entre os esforços para contornar a situação e impulsionar o desempenho da receita no Brasil, a Natura cita:
- Reconfigurações na cadeia de abastecimento (supply chain);
- Ajustes nos incentivos da força de vendas;
- Novos formatos de vendas digitais, incluindo a expansão para novos marketplaces
- e a aceleração da nova loja digital das consultoras; e
- Retomada do ritmo acelerado de abertura de lojas, com novas franquias já sob o
- novo modelo de contrato.