Sem alívio no ciclo do gado até 2028: Santander rebaixa e corta alvos para JBS (JBSS32) e subsidiária
A perspectiva para as empresas de proteína animal dos Estados Unidos ficou mais desafiadora na visão do Santander. Em relatório divulgado nesta terça-feira (8), o banco revisou suas projeções para o setor, passou a esperar que o ciclo negativo da pecuária bovina norte-americana se estenda até 2028 e rebaixou as recomendaões da JBS (JBSS32) e da sua subsidiária Pilgrim’s Pride Corporation (PPC) de compra para neutra.
O Santander reduziu o preço-alvo dos papéis negociados pela JBS em Nova York de US$ 17,00, estimado para o fim de 2026, para US$ 15,20 ao fim de 2027. Para Pilgrim’s Pride, o banco cortou o preço-alvo de US$ 56,00, projetado para o fim de 2026, para US$ 37,50 ao fim de 2027.
Segundo os analistas, a expectativa é de novas revisões negativas para os lucros das companhias nos próximos trimestres, diante da deterioração dos fundamentos do mercado de carnes nos Estados Unidos.
No caso da JBS, o Santander afirma que o momento para os resultados se tornou mais desafiador e reduziu suas estimativas de Ebitda para 2026 e 2027 em praticamente todas as divisões da empresa.
Apesar de a listagem das ações na bolsa de Nova York ter reduzido o desconto de valuation em relação à Tyson Foods — com a JBS oferecendo yield de FCF de 9% para 2026 —, o banco avalia que a companhia ficou sem catalisadores relevantes de curto prazo após a inclusão no índice Russell 3000, no fim de junho.
Pilgrim’s Pride
Embora o Santander destaque que a Pilgrim’s Pride negocia a um valuation mais atrativo entre as companhias sob sua cobertura, a 5,7 vezes EV/Ebitda projetado para 2026 e com yield de fluxo de caixa livre de 10%, os analistas entendem que o desconto não compensa a deterioração operacional.
O banco reduziu em 22% sua projeção de Ebitda para 2026 e agora espera uma queda de aproximadamente 30% no indicador em relação ao ano anterior.
A revisão incorpora uma recuperação mais lenta dos preços do frango, que ainda estavam cerca de 10% abaixo dos níveis de um ano antes no segundo trimestre, além do aumento dos estoques refrigerados desde abril, indicando que a oferta segue crescendo acima da demanda.
Tyson Foods
Para a Tyson Foods, o banco manteve a recomendação neutra, mas elevou o preço-alvo de US$ 64,00, referente ao fim de 2026, para US$ 69,00 ao fim de 2027.
Apesar da alta no valor justo, os analistas avaliam que a ação negocia a 8,5 vezes EV/Ebitda projetado para 2026, ligeiramente acima da média histórica, e enxergam espaço limitado para revisões positivas de lucro.
“Temos uma visão pessimista para a divisão de carne bovina nos EUA até 2028. Por outro lado, nossas estimativas para os segmentos de frango e alimentos processados em 2026 estão próximas do limite superior da faixa de guidance da companhia”, explicam Guilherme Palhares, Laura Hirata e Ulises Argote.
Segundo os analistas, embora a Tyson tenha direcionado seu portfólio para produtos de maior valor agregado em frango, o que pode resultar em margens mais estáveis, eles ainda consideram baixa a visibilidade sobre a evolução dos lucros em comparação aos concorrentes. “Assim, vemos pouco espaço para revisões positivas das estimativas ou para uma reprecificação das ações”.