Ações da Telefônica (VIVT3), dona da Vivo, e da TIM (TIMS3) deixaram de ser ‘atrativas’ para o Bradesco BBI
O Bradesco BBI rebaixou a recomendação das ações da Telefônica Brasil (VIVT3), dona da Vivo, e da TIM (TIMS3) de compra para neutra nesta terça-feira (28).
Para os analistas Daniel Federle e Flávia Meireles, os papéis passaram a negociar próximos ao valor justo, ao mesmo tempo em que sinais de intensificação competitiva reduzem a probabilidade de “surpresas positivas”.
“Não esperamos uma deterioração abrupta de resultados nem vemos espaço para uma correção baseada apenas em valuation, mas, com as ações próximas ao valor justo e com consenso já construtivo, a probabilidade de decepções passou a superar a de surpresas positivas”, escreveram em relatório.
“Para voltar a uma visão mais construtiva para o setor, seria necessário observar um arrefecimento dos sinais competitivos ou pontos de entrada mais atrativos em preço”, destacaram os analistas.
Em reação, as ações das operadoras operam entre as maiores quedas do Ibovespa (IBOV). Por volta de 11h20 (horário de Brasília), VIVT3 recuava 2,65% (R$ 38,57) e TIMS3 caía 2,56% (R$ 25,10).
Visão neutra, mas preços-alvo mais altos
Apesar do rebaixamento das ações, o banco elevou os preços-alvos para as duas companhias em dezembro deste ano:
- VIVT3: de R$ 38 para R$ 45 – o que representa um potencial de valorização de 13,6% sobre o preço de fechamento de ontem (27)
- TIMS3: de R$ 27 para R$ 29 – o que implica em um salto de 12,5% sobre o preço de fechamento anterior.
Segundo os analistas, a revisões devem-se à redução de 1 ponto percentual no custo de capital próprio, além de ajustes marginais em receitas e margens após resultados fortes no quarto trimestre (4T25).
O banco também reiterou a preferência por VIVT3 devido a “maior resiliência em adições líquidas e portabilidade, apesar do valuation mais elevado”.
O que esperar para o 1T26
O Bradesco BBI avalia que o balanço de riscos para o setor de telecomunicações piorou na margem, embora ele continue sustentado por fundamentos estruturais favoráveis – como mercado mais concentrado, menor intensidade de investimentos, ganhos de eficiência via digitalização e inteligência artificial (IA).
“O cenário de ‘paraíso’ observado após a consolidação (aquisição da Oi) começa a dar sinais de desgaste, com competição mais agressiva podendo pressionar preços, churne ARPU adiante”, destacaram os analistas em relatório.
Para o primeiro trimestre (1T26), o banco espera que as receitas móveis sigam resilientes, mas com desaceleração sequencial após um quarto trimestre “muito forte”.
A dupla de analistas ainda estima um crescimento da receita de serviços móveis da Vivo de 6,8% na base anual e da TIM, de 5,7% na mesma base de comparação.
A expansão das margens, por sua vez, deve ser mais moderada, o que reduz o potencial de o trimestre “atuar como gatilho positivo para o setor”.