Ações do Magazine Luiza (MGLU3) caem forte após prejuízo e 6 analistas dizem o que fazer agora
As ações do Magazine Luiza (MGLU3) estão entre os destaques negativos do Ibovespa (IBOV) no pregão desta sexta-feira (8), após a varejista frustrar as expectativas do mercado com um balanço do primeiro trimestre de 2026 lido como fraco por analistas.
A companhia reportou prejuízo líquido ajustado de R$ 33,9 milhões. A cifra representa uma reversão do lucro de R$ 11,2 milhões registrados no mesmo período em 2025 e de R$ 124,7 milhões no trimestre imediatamente anterior.
Na visão contábil, em que são inclusos os resultados não recorrentes, o prejuízo é de R$ 55,2 milhões.
Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, que mede o desempenho operacional, encolheu 5,4% em base anual, totalizando R$ 717,6 milhões no período de janeiro a março deste ano.
A margem Ebitda ajustada ficou em 7,8%, uma queda 0,3 ponto percentual na comparação com o mesmo período do ano passado.
Por volta de 15h40 (horário de Brasília), as ações caíam 8,31%, cotadas a R$ 7,28. Acompanhe o tempo real.
O BTG Pactual aponta os resultados como fracos, mais uma vez marcados pelo desempenho resiliente das operações físicas, mas com pressão contínua no e-commerce, com os principais números ligeiramente abaixo das estimativas do banco.
Os analistas destacam que as vendas mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês) das lojas físicas cresceram 6,4% na comparação anual, reforçando a melhor execução e dinâmica de tráfego nas operações offline, enquanto as vendas totais online caíram 11% ao ano, refletindo um ambiente competitivo ainda desafiador e uma demanda mais fraca em categorias discricionárias.
A equipe de analistas do banco avalia que o desempenho operacional da companhia deve permanecer limitado por três fatores:
- Dinâmica de demanda ainda fraca em categorias altamente cíclicas, como eletrônicos e eletrodomésticos;
- Intensificação da concorrência no e-commerce brasileiro, especialmente nas operações de marketplace; e
- Juros elevados, que continuam pressionando tanto a demanda do consumidor quanto as despesas financeiras, por meio de maiores custos de desconto de recebíveis.
Por outro lado, o Magalu continua demonstrando melhora na disciplina operacional, com melhor gestão de margens, tendências de crédito mais saudáveis e execução mais forte nas lojas físicas ajudando a compensar parte da pressão na linha de receita, na visão do banco.
Ainda que a expectativa para o crescimento permaneça moderado nos próximos trimestres, particularmente no online, os resultados recentes continuam reforçando o foco da administração em rentabilidade, preservação de caixa e ganhos de eficiência, em vez de uma expansão agressiva de participação de mercado.
“Nesse contexto, apesar do ambiente operacional ainda desafiador, a estabilização gradual das margens e a melhora na qualidade de crédito sustentam, por ora, nossa recomendação de Compra”, diz o banco.
O JP Morgan diz que o Magalu reportou resultados operacionais abaixo do esperado, com o volume bruto de mercadorias (GMV) caindo 6% em base anual devido a fracos índices de e-commerce, o que mais do que compensou o bom crescimento de lojas físicas, na visão do banco.
“O foco da empresa na lucratividade continuou a se refletir no nível da margem bruta, mas o Ebitda ajustado caiu 5% ao ano, para R$ 718 milhões, cerca de 5% abaixo das estimativas do JP Morgan/consenso, com uma leve compressão da margem ano a ano”, dizem os analistas.
Os analistas do JP Morgan já esperavam uma reação negativa no preço das ações devido às fracas tendências de crescimento e margens menores. O banco mantém a recomendação Underweight (equivalente à venda).
Físico x e-commerce
O BB Investimentos avalia os resultados do trimestre do Magazine Luiza como neutros, sob o impacto nas vendas do desempenho positivo do físico, mas negativo do e-commerce.
Os analistas da casa acreditam que o desempenho negativo das ações no ano esteja relacionado a um volume de vendas mais contido nos últimos trimestres, especialmente por meio dos canais digitais, bem como pelos efeitos da linha de resultado financeiro.
“Sobre uma base relevante de endividamento bruto, acaba limitando o potencial de entrega de resultados líquidos da companhia em momentos de juros domésticos mais elevados, como o cenário que se estende nos últimos trimestres”, diz o BB.
Apesar disso, os analistas percebem uma melhora operacional gradual, com otimização das despesas operacionais, que cresceram abaixo da inflação, demonstrando esforços da companhia em otimizar sua operação “core” de vendas via canais físicos e digitais, enquanto amadurece linhas de negócio secundárias que agregam potencial de crescimento consolidado e captura de sinergias.
“Ainda assim, entendemos que esse processo seja gradativo, exigindo grande foco na operação de cada linha de negócio, adicionando complexidade tanto na execução por parte da gestão, como à análise dos números por parte dos investidores, dado que os resultados dessas linhas secundárias de negócios ainda não são totalmente abertos ao mercado”, dizem.
Nesse contexto, o BB Investimentos mantém a recomendação Neutra e o preço-alvo em R$ 9,60 para o final de 2026.
O prejuízo do Magazine Luiza no trimestre frustou as expectativas do Itaú BBA para a companhia.
Os analistas ponderam que o crescimento continua desafiador no ambiente atual, com altos níveis de dívida familiar e com as taxas de juros ainda pressionando o consumo, fatores que justificam a postura mais conservadora da casa.
O principal ponto a ser monitorado daqui para frente é a capacidade da empresa de preservar
lucratividade e geração de caixa, pondera o BBA, que tem recomendação neutra para as ações MGLU3, com preço-alvo de R$ 10.
Ambiente macro difícil
A XP Investimentos endossa a leitura de resultados fracos no primeiro trimestre, com vendas pressionadas em meio a um macro desafiador e queima de fluxo de caixa livre por sazonalidade e preparação para a Copa do Mundo.
“O canal de lojas físicas permanece resiliente, embora desacelerando em base trimestral, enquanto o online foi ainda mais pressionado do que antecipávamos, com 1P deteriorando em vendas de eletrônicos e levando a um Ebitda 5% abaixo do esperado”, dizem os analistas.
No geral, a casa acredita que o trimestre continua refletindo um ambiente macro e competitivo difícil para o Magalu, enquanto vendas relacionadas à Copa do Mundo podem trazer algum alívio para a receita. A XP mantém a recomendação Neutra.
Já na leitura do Safra, os resultados vieram ligeiramente negativos, com os números operacionais
em grande parte em linha com as projeções do banco.
“No entanto, a queima de caixa (R$ 600 milhões em relação ao ano anterior, excluindo dividendos e aportes de capital na Luizacred) continua sendo nossa principal preocupação”, dizem os analistas.
As difíceis condições macroeconômicas de curto prazo reforçam a postura cautelosa em relação ao Magazine Luiza e ao setor de e-commerce em geral, dessa maneira, o Safra tem classificação Neutra para as ações.
O que fazer com as ações agora?
| Banco/Corretora | Recomendação | Preço-alvo |
| BTG Pactual | Compra | R$ 12 |
| JP Morgan | Underweight (venda) | — |
| BB Investimentos | Neutra | R$ 9,60 |
| Itaú BBA | Neutra | R$ 10 |
| XP Investimentos | Neutra | — |
| Safra | Neutra | R$ 10 |