Além da alta no valor do petróleo, guerra no Irã impacta o mercado de preservativos
A guerra no Irã, além de trazer as consequências diretas de um conflito, também gera impactos nos mercados como um todo, como o aumento da cotação do barril de petróleo. Além disso, há as questões indiretas. Uma delas é a alta no preço dos preservativos.
Nesta semana, a maior fabricante de preservativos do mundo, a Karex, anunciou que aumentará seus preços entre 20% a 30% nos próximos meses. Isso porque a guerra no Oriente Médio está causando problemas na cadeia de suprimentos.
Qual a relação entre o preço dos preservativos e a guerra do Irã?
Para se ter uma noção, cerca de um em cada cinco preservativos no mundo é produzido pela Karex.
Além desses produtos, a marca também faz lubrificantes íntimos, luvas, cateteres médicos e capas para sondas. Segundo o site da empresa, mais de 130 países são atendidos.
Com sede na Malásia, a empresa é dona da ONE Condoms, que fornece seus produtos para marcas como Durex, Trojan e, até mesmo, o sistema público de saúde do Reino Unido e programas de ajuda administrados pela ONU.
Segundo a Karex, os custos de produção aumentaram em quase 30% desde os primeiros ataques dos Estados Unidos e de Isarel contra o Irã.
O principal motivo da alta é a escassez de materiais derivados de petróleo que são usados na fabricação do produto. Isso sem contar os problemas de transporte global.
Como essa alta pode afetar o Brasil?
Uma questão preocupante é como a alta dos preços dos preservativos pode afetar a disseminação de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) no Brasil.
Nos boletins epidemiológicos de 2025, elaborados pelo Ministério da Saúde, os indicadores apontaram estabilidade com leve alta nas detecções de HIV, como exemplo.
Alta de preços à parte, vale lembrar que o governo brasileiro oferece gratuitamente preservativos, gel lubrificante, profilaxias pré e pós-exposição (PrEP e PEP), diagnóstico e tratamento do HIV e de outras IST’s, vacinação e ações de promoção da saúde sexual e reprodutiva por meio do sistema público de saúde.
Ainda não foram divulgadas informações sobre possíveis mudanças na distribuição governamental de preservativos.
*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.