Ambev (ABEV3) pode ser grande ‘vencedora’? BTG eleva ação e aponta ‘estratégia de jogo’ campeã; confira
As ações da Ambev (ABEV3), na máxima, chegaram a avançar 3,17% (R$ 16,92) com a elevação da recomendação de neutro para compra pelo BTG Pactual. Além disso, o banco subiu o preço-alvo do papel de R$ 17 para R$ 20, o que implica um potencial de valorização de 22% ante o fechamento anterior (25).
Após 13 anos, o banco afirma que a postura cautelosa em relação à ação foi uma das “teses mais consistentes” defendidas. Agora, ao que tudo indica, a companhia finalmente tem uma base sólida sobre a qual construir.
“Estamos mudando de opinião agora porque a capacidade da Ambev de impor preços — a principal variável que explica sua criação de valor —, sustentada por um portfólio que a concorrência não consegue igualar, finalmente parece estar dando resultados”, detalham os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttila.
Por volta das 11h27 (horário de Brasília), a ABEV3 subia 0,24% (R$ 16,44), em dia de saída de fluxo estrangeiro da bolsa e aversão a risco. No mesmo horário, o Ibovespa (IBOV) recuava 1%, aos 176.029,37 pontos.
Jogo do portfólio impulsiona Ambev a vencer
Para o BTG, pela primeira vez em mais de uma década, a Ambev parece estar recuperando participação de receita no mercado brasileiro de cerveja, enquanto a Heineken, após uma impressionante trajetória de 15 anos, dá sinais de maturidade de ciclo.
“Por trás da lata verde, o portfólio da Heineken continua limitado. O da Ambev, em contraste, agora atua de forma granular nos segmentos core, core plus, premium de entrada e premium”, avalia.
Segundo o banco, o portfólio é a vantagem competitiva que a concorrência não possui e, como os últimos quatro trimestres demonstraram, permitiu à Ambev potencialmente reacender uma recuperação de participação em valor.
A Ambev continua sub-representada no segmento premium (cerca de 50% de participação), em comparação com aproximadamente 70% no segmento core, diz o BTG. No entanto, os analistas avaliam que, com um portfólio consistente, a expectativa é de que a companhia pode ter conquistado o direito de vencer no segmento premium.
Geração de valor
Na avaliação do BTG, com o portfólio reconstruído e a Heineken aparentemente se aproximando dos limites de sua estratégia premium baseada em uma única marca, a Ambev retomou o protagonismo em preços em 2025 e no início de 2026. Crucialmente, a Heineken foi forçada a seguir os aumentos, em vez de liderá-los.
“O aumento de preços se converte em resultado com necessidade mínima de capital adicional, razão pela qual esse é o principal motor do nosso modelo daqui para frente. À medida que a Ambev retoma o protagonismo no premium, agora assumimos que ela capturará 1,4 ponto percentual de aumento real de preços por ano no segmento de cerveja no Brasil nos próximos anos, permitindo a maior parte da nossa expectativa positiva de delta de retorno sobre capital investido “ROIC) daqui em diante”, explica.
Expansão do ROIC
No relatório, o banco menciona que o ROIC da Ambev se recuperou para 31% em 2025 e que a projeção indica que ele deve alcançar 37% até o fim da década. Na metodologia do BTG, entrar na faixa de 35%–40% separa o múltiplo de uma cervejaria global comum de um múltiplo premium.
“Criticamente, essa expansão é quase inteiramente uma história de giro de ativos: o capital investido permanece praticamente estável até 2030, enquanto as receitas crescem com preços e mix em termos reais. A tese de preços e a tese de ROIC são, na prática, a mesma tese — e é nisso que se baseia a elevação da recomendação”, afirma.
Ao considerar o histórico, o BTG acrescenta que um ROIC em trajetória positiva esteve associado a uma performance positiva das ações e a múltiplos premium.