Lucro do Assaí (ASAI3) avança 55%, a R$ 248 milhões, e CEO espera ‘Natal mais gordo’ sem bets
O Assaí (ASAI3) apresentou lucro líquido recorrente de R$ 248 milhões no terceiro trimestre de 2026 (3T26), avanço de 55,2% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado veio abaixo do consenso de mercado da Bloomberg, que era de R$ 287 milhões.
Já o lucro líquido contábil chegou a R$ 427 milhões no trimestre, crescimento de 119% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Ainda, a varejista registrou receita líquida de R$ 19 bilhões, em linha com o consenso e estável em relação ao ano anterior. A receita bruta foi de R$ 21,3 bilhões, alta de 2,7% na comparação anual.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) ajustado alcançou R$ 1,1 bilhão no 3T26, com margem de 5,7%, praticamente estável em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo a companhia, o resultado foi beneficiado por iniciativas comerciais, evolução do mix de produtos e amadurecimento das lojas convertidas.
Assaí acelera desalavancagem
A alavancagem medida pela relação dívida líquida sobre Ebitda caiu para 2,15 vezes, contra 3,03 vezes registrados um ano antes e 2,37 vezes no 2T26.
Nos últimos 12 meses, a companhia reduziu em R$ 1,3 bilhão a dívida líquida somada aos recebíveis descontados. O volume de recebíveis descontados caiu de R$ 2 bilhões para R$ 1,2 bilhão no período. Ainda, o Ebitda acumulado em 12 meses cresceu 27,3%, contribuindo para a melhora dos indicadores financeiros.
O endividamento da companhia tem sido um dos grandes pontos de atenção do mercado — e o Assaí sabe disso. Em entrevista coletiva, o CEO da empresa, Belmiro Gomes, afirmou que o foco é diminuir o endividamento da empresa.
Geração de caixa e vendas
O Assaí apresentou uma geração de caixa operacional de R$ 3,3 bilhões nos últimos 12 meses e geração de caixa livre de R$ 2,8 bilhões. Segundo a companhia, a forte geração de caixa tem sido fundamental para acelerar o processo de redução da dívida e fortalecer o balanço.
Já as vendas nas mesmas lojas (SSS) avançaram 0,1% no trimestre. No entanto, a companhia destacou uma melhora do desempenho ao longo do período, com crescimento de 3,9% em outubro.
O market share das lojas maduras permaneceu em 30% no acumulado do ano, enquanto a base de clientes seguiu acima de 40 milhões por mês. Além disso, as despesas operacionais cresceram 4,2%, abaixo da inflação acumulada de 12 meses.
Novas avenidas de negócios
A rede encerrou o período de julho a novembro com 11 unidades da Assaí Farma em operação e manteve a expectativa de alcançar 25 unidades até o fim de 2026.
As vendas do serviço last mile cresceram 204% na comparação anual, enquanto a companhia concluiu a aquisição de 18 postos de combustíveis localizados em lojas do estado de São Paulo.
Outra aposta é a expansão das marcas próprias. A empresa pretende encerrar o ano com aproximadamente 250 produtos comercializados sob marcas exclusivas.
Proibição de bets no Brasil ajuda
Desde a proibição das bets, Gomes diz perceber uma melhora no consumo alimentar, especialmente entre clientes de baixa renda.
Ainda que não seja possível cravar um dado concreto que confirme a relação, outubro registrou uma aceleração das vendas em mesmas lojas para cerca de 3,9%. As bets foram proibidas em 25 de setembro deste ano.
Essa indicação ganha relevância especialmente por um dos maiores desafios da companhia ser, justamente, o endividamento das famílias brasileiras. Apesar da alimentação ser um consumo essencial, com a alta do endividamento, há uma procura por produtos mais baratos.
“Então, se mantido [a proibição das apostas], a expectativa é que talvez as famílias possam ter o Natal mais gordo nesse ano do que foi nos últimos dois anos”, afirmou o CEO.
Impacto do fim da escala 6×1
Quanto aos possíveis impactos do fim da escala 6×1, a companhia entende que a mudança tende a elevar os custos trabalhistas e exigir ajustes operacionais. Apesar disso, Gomes avalia que o impacto sobre o atacarejo deve ser menor do que em supermercados tradicionais.
Ainda assim, a empresa considera iniciativas de ganho de produtividade, como ampliação do self-checkout, revisão de horários de funcionamento, melhorias na logística e maior automação de processos.
*Sob supervisão de Maria Carolina Abe