Banco do Brasil (BBAS3): Para Safra, o resultado em linha conta ‘apenas metade da história’ e atenção volta-se para novo guidance
A queda das ações do Banco do Brasil (BBAS3) nesta quinta-feira (14), em reação ao balanço do primeiro trimestre (1T26), já era esperada pelo Safra. Entre os papéis mais negociados da bolsa brasileira, BBAS3 chegou a cair 4,91% (R$ 19,74) na abertura do pregão.
Por volta de 13h (horário de Brasília), os papéis operavam em leve alta de 0,19%, a R$ 20,82.
Para o banco, a reação é justificada pela revisão do guidance. Agora, o BB projeta lucro líquido em R$ 20 bilhões em 2026 no ponto médio, o que na visão do Safra está mais alinhado à estimativa do banco – que já havia sido cortada em 9% após o Investor Day, para R$ 20,4 bilhões.
“Ainda assim, acreditamos que há risco de queda em nossas estimativas, dado que a parcela de provisões para perdas esperadas (ECL) do varejo ficou muito acima do esperado, com o NPL (índice de inadimplência) de 30 dias aumentando 89 pontos-base no trimestre a trimestre”, destacaram os analistas Daniel Vaz e Rafael Nobre em relatório.
O banco projeta o ECL em R$ 63 bilhões neste ano, enquanto o novo guidance do BB ficou entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões, “o que atribuímos principalmente ao segmento de pessoas físicas”.
Além disso, o lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões no 1T26 ficou 2% acima da estimativa do Safra. “Um resultado em linha no lucro final conta apenas metade da história.”
Os analistas destacam que o resultado deve-se a devido a uma combinação de NII [sigla em inglês para Receita Líquida de Juros] ajustado ao risco mais alto e uma taxa efetiva de imposto negativa – imposto de renda positivo em R$ 1,1 bilhão.
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Pontos de atenção
Para os analistas Daniel Vaz e Rafael Nobre, os pedidos de recuperação judicial no agronegócio continuam aumentando e seguem como ponto de atenção.
Eles consideram que o aumento de RJs, principalmente no mês de abril, é um reflexo do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre os insumos agrícolas e juros mais altos por mais tempo.
A dupla ainda chama a atenção para a posição de capital do BB. “O índice CET1 [que inclui inclui ativos líquidos como dinheiro e ações] ficou 19 pontos-base abaixo da nossa projeção, devido a R$ 4 bilhões em novos créditos tributários sobre prejuízos fiscais (DTAs), o que pode fazer com que questões de capital voltem a ser um risco relevante para o banco.”
O Safra tem recomendação neutra para as ações BBAS3 e preço-alvo de R$ 25 no fim de 2026, o que implica em um potencial de valorização de 20% sobre o preço de fechamento anterior. Ontem (13), os papéis do BB encerraram o pregão cotados a R$ 20,76.