AgroTimes

Banco do Brasil (BBAS3): MP de dívidas rurais é ‘ponte’ para recuperação, mas 2T26 ainda deve ser desafiador, avalia BTG

23 jul 2026, 10:06
banco do brasil
(Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A Medida Provisória 1.376/2026 representa um passo importante para aliviar a pressão sobre a carteira de crédito rural do Banco do Brasil (BBAS3), mas seus efeitos ainda devem demorar a aparecer no balanço da instituição. A avaliação é do BTG Pactual, que vê a iniciativa como uma “ponte para uma recuperação gradual”, enquanto mantém uma visão cautelosa para os resultados do segundo trimestre de 2026.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em relatório desta quinta (23), os analistas destacam que o banco público acaba de confirmar ao mercado que iniciou os procedimentos para operacionalizar as linhas de renegociação de dívidas rurais previstas na MP.

O programa é voltado a produtores afetados por eventos climáticos extremos ou pela queda dos preços agrícolas, mas sua implementação ainda depende de regulamentação complementar do Conselho Monetário Nacional (CMN) e do Ministério da Fazenda.



Para o BTG, a medida é positiva por reduzir a incerteza no setor e aliviar o fluxo de caixa dos produtores elegíveis, além de diminuir o chamado risco moral — situação em que parte dos devedores vinha adiando pagamentos na expectativa de um programa de socorro do governo.

Ainda assim, o banco ressalta que a recuperação não será imediata. “A medida cria uma ponte para uma recuperação gradual, e não uma melhora imediata”, afirmam os analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel, Bruno Henriques e Antonio Pascale, acrescentando que o impacto final dependerá das regras de elegibilidade e do volume de operações efetivamente renegociadas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A cautela também se estende ao desempenho financeiro do Banco do Brasil. Na visão do BTG, o segundo trimestre de 2026 deve continuar pressionado, com despesas de provisão potencialmente em níveis semelhantes aos registrados no primeiro trimestre e perdas de crédito caminhando para o teto do guidance da instituição.

Os analistas acreditam que um alívio mais relevante na demonstração de resultados deve começar a aparecer apenas a partir do quarto trimestre deste ano. O BTG mantém sua recomendação neutra e preço-alvo de R$ 25 para a ação.

O que esperar da MP

Durante evento promovido pelo BTG no Rio de Janeiro, a administração do Banco do Brasil detalhou alguns pontos da medida.

Segundo o BTG, poderão aderir ao programa produtores recentemente inadimplentes e também aqueles que já haviam prorrogado suas operações. As novas condições preveem juros entre 5% e 12% ao ano, prazo de até dez anos para pagamento e carência de até dois anos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O Banco do Brasil informou, ainda, possuir aproximadamente R$ 100 bilhões em operações rurais prorrogadas — sendo R$ 62 bilhões na carteira de rolagem e R$ 38 bilhões vinculados à MP 1.314 — além de cerca de R$ 30 bilhões em créditos inadimplentes. Ainda é cedo, porém, para estimar quanto desse montante poderá ser enquadrado na nova MP.

Para o BTG, os primeiros sinais de melhora devem aparecer por meio de uma menor necessidade de constituição de provisões. Além disso, contratos renegociados poderão voltar a gerar receitas com juros e, dependendo das garantias e da classificação de risco, permitir reversões de provisões.

A administração também informou que vem endurecendo os critérios de concessão de crédito ao agronegócio, com aprimoramento dos modelos de risco, reforço das garantias e ampliação do uso da alienação fiduciária nas novas operações.

Por enquanto, o Banco do Brasil manteve seu guidance para 2026. No entanto, o BTG pondera que o risco de uma revisão negativa continua existindo e deve voltar ao centro das atenções após a divulgação dos resultados do segundo trimestre.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em relação ao capital, os analistas destacam que a MP 1.376 não deve trazer alívio direto aos indicadores da instituição. A estratégia do banco continua sendo fortalecer sua posição de capital por meio da geração orgânica de resultados e do crescimento em linhas de crédito com menor consumo de capital.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
Linkedin
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
Linkedin

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar