Banco do Brasil (BBAS3): Piorar antes de melhorar? CFO vê maior chance de recuperação do agro em ‘W’
O CFO do Banco do Brasil (BBAS3), Giovanne Tobias, jogou luz na recuperação do agronegócio. Desde o ano passado, o banco sofre com a disparada da inadimplência, enquanto o mercado ainda vê pioras no setor.
Segundo Tobias, a recuperação vai acontecer e ela tende a ser em U ou em W. “Ainda não sabemos. Eu suspeito que possa ser mais uma recuperação em W”.
“Ainda estamos acompanhando como as renegociações dentro desse ciclo vão se comportar, bem como a nova safra que está sendo formada”, afirmou em evento com investidores em São Paulo.
Tobias classificou ainda o momento atual do BB como o mais desafiador da história nos últimos 20 anos, especialmente diante do que aconteceu em termos de risco de crédito no ano passado.
“Se observarmos a evolução do retorno sobre o patrimônio líquido do Banco do Brasil, estamos passando agora por um momento de ajuste muito semelhante ao que ocorreu em 2016, há dez anos”.
O executivo também não deixou de citar o mercado. Segundo ele, investidores olham trimestre a trimestre. Mas o foco está na sustentabilidade e na diversidade — não apenas na diversidade de pensamento na gestão, mas também na construção de uma carteira sustentável.
Piorar antes de melhorar
Entre os analistas, o sentimento é de que o primeiro trimestre será mais um período ruim para o banco. Segundo o BTG, cerca de 94% a 95% da carteira agro segue adimplente, o que implica uma taxa de inadimplência entre 5% e 6% — patamar bem acima dos níveis observados nos últimos anos, mas ainda inferior ao de pares como a Caixa Econômica Federal, que reportou 14,1% no 4T25.
Apesar disso, a equipe do BTG pondera que a deterioração da qualidade de crédito ainda não chegou ao fim. A instituição destaca que fatores como:
- aumento dos custos de diesel e fertilizantes, em meio às tensões no Oriente Médio
- desvalorização do real deve continuar pressionando as margens dos produtores, especialmente na próxima safra.
O Itaú BBA projeta lucro de R$ 3,6 bilhões, queda de 36% em relação ao quarto trimestre, e um ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de apenas 7,5%, contra 12,1% no período anterior.
Para os analistas, enquanto a carteira de crédito desacelera, as despesas com provisões devem permanecer elevadas, em cerca de R$ 17,4 bilhões, impulsionadas pela deterioração dos estágios de crédito em diferentes carteiras.
Com um início de ano mais fraco, o banco deverá correr se quiser atingir o piso do guidance de lucro para 2026, entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. A estimativa do Itaú BBA está em R$ 21 bilhões.