Bancos revelam suas apostas para o agro: veja 3 compras e 1 venda para ficar de olho nesta semana
O ano de 2026 está trazendo contrastes para o agronegócio brasileiro. Por um lado, produtores e empresas do setor enfrentam um ambiente desafiador, marcado por juros elevados, margens pressionadas, oscilações climáticas e preços mais baixos de importantes commodities agrícolas. Por outro, a correção recente de algumas ações abriu espaço para que analistas voltassem a enxergar oportunidades em companhias com fundamentos sólidos e potencial de recuperação.
No Money Picks desta semana, os jornalistas do Money Times apresentam quais são as apostas e recomendações de compra e venda dos maiores bancos e corretoras para o setor.
O Safra elevou a recomendação da Klabin de neutra para compra e definiu preço-alvo de R$ 21,10 para o final de 2026. Na avaliação dos analistas, a queda superior a 10% das ações neste ano já incorporou grande parte do cenário desafiador para o setor de papel e celulose, tornando a relação entre risco e retorno mais atrativa para novos investidores.
Apesar da melhora na recomendação, o banco mantém cautela em relação ao desempenho do segmento de papel.
A forte demanda por exportações pode ter sido impulsionada pela antecipação de embarques de carne bovina para a China antes de possíveis restrições tarifárias, o que levanta dúvidas sobre a sustentabilidade dos volumes no segundo semestre.
Ainda assim, o Safra mantém a preferência pela Suzano no setor, com destaque a sua maior exposição à celulose, geração de caixa mais robusta e estratégia de ampliar contratos de longo prazo.
O Itaú BBA reduziu o preço-alvo da JBS de US$ 20 para US$ 18, mas manteve a recomendação outperform.
A revisão reflete uma visão mais conservadora para a operação de carne bovina nos Estados Unidos, onde o ciclo do gado continua desfavorável para os frigoríficos. O banco passou a projetar margem EBTIDA negativa de 1,9% para essa divisão em 2026, além de reduzir suas estimativas de lucro líquido para 2026 e 2027.
Mesmo com os ajustes, os analistas continuam vendo a JBS como uma das teses mais atraentes do setor.
A avaliação positiva é sustentada pela diversificação geográfica e de produtos, pela solidez financeira da companhia e pelo valuation considerado descontado. Além disso, fatores como a resiliência do consumo nos EUA e uma possível reabertura da fronteira mexicana para importação de gado podem contribuir para uma melhora gradual dos resultados.
3 – Kepler Weber (KEPL3)
O Citi rebaixou a recomendação da Kepler Weber de neutra para venda e reduziu o preço-alvo de R$ 9 para R$ 5,60.
O banco acredita que a demanda por investimentos em armazenamento agrícola deve permanecer fraca no Brasil devido à combinação de margens apertadas para produtores de soja e milho, juros reais elevados e menor disposição dos agricultores para realizar novos investimentos.
Outro ponto de preocupação é o aumento da concorrência no setor. Segundo o Citi, empresas internacionais vêm adotando estratégias mais agressivas, oferecendo descontos e condições de pagamento mais favoráveis.
Como os resultados da Kepler Weber costumam acompanhar a rentabilidade dos produtores rurais, o banco avalia que a pressão sobre a renda agrícola, somada ao ambiente competitivo mais intenso, pode limitar o crescimento e pressionar as margens da companhia nos próximos trimestres.
4 – CMDB11
O aumento das tensões no Oriente Médio tem gerado preocupação para o agronegócio brasileiro, já que a região é um importante destino das exportações nacionais e também fornecedora de insumos essenciais.
Em 2025, os países do Oriente Médio responderam por US$ 12,4 bilhões em compras de produtos agropecuários do Brasil, além de absorverem uma parcela relevante das exportações de milho e frango.
Apesar dos riscos para custos de produção, logística e energia, a Empiricus avalia que o cenário pode sustentar os preços das commodities agrícolas e favorecer um novo ciclo de valorização do setor.
Para aproveitar essa tendência, a casa recomenda o CMDB11, um ETF que reúne empresas ligadas a commodities, incluindo agronegócio e alimentos, papel e celulose e petróleo.
O fundo oferece exposição diversificada a setores que costumam se beneficiar de inflação elevada, choques de oferta e valorização do dólar, fatores que podem impulsionar empresas exportadoras.
Para saber as melhores recomendações de compra e venda, acompanhe o Money Picks, toda segunda-feira, no canal do YouTube do Money Times.
*Com supervisão de Gustavo Porto