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‘Barata demais para ignorar’: Por que o Itaú BBA mantém compra para esta ação mesmo após corte no preço-alvo

26 maio 2026, 16:09 - atualizado em 26 maio 2026, 16:09
construtoras construção civil (Imagem: JONGHO SHIN/istockphoto)
'Barata demais para ignorar': Por que o Itaú BBA mantém compra para esta ação mesmo após corte no preço-alvo (Imagem: JONGHO SHIN/istockphoto/Montagem Money Times)

O Itaú BBA reduziu o preço-alvo das ações da Cyrela (CYRE3) de R$ 37 para R$ 33, mas manteve recomendação outperform (equivalente à compra) para os papéis, citando que a companhia continua “barata demais para ignorar”.

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Mesmo com o corte, o novo valor ainda representa um potencial de valorização (upside) de aproximadamente 45% em relação à cotação atual, de R$ 22,34.



Em relatório, o banco afirmou que a revisão ocorreu após o balanço do primeiro trimestre (1T26) apontar um mercado mais fraco de imóveis de alto padrão em São Paulo, marcado pelo aumento dos estoques e desaceleração das vendas.

Segundo o Itaú BBA, a velocidade de comercialização da Cyrela caiu para cerca de 15% a 18%, abaixo dos níveis próximos de 25% registrados entre 2023 e 2024.

Além disso, entre janeiro e março, a incorporadora registrou lucro líquido de R$ 297 milhões, queda de 9% em relação a igual período de 2025, enquanto a receita líquida somou R$ 2,02 bilhões, crescimento de 4% na mesma base de comparação.

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Em média, analistas esperavam lucro líquido de R$ 394 milhões e receita líquida de R$ 2,2 bilhões, de acordo com previsões compiladas pela LSEG.

Após os números do 1T26, o banco projeta, para o consolidado deste ano, um lucro líquido próximo de R$ 1,9 bilhão para a construtora, contra R$ 2 bilhões apurados em 2025, com retorno sobre patrimônio líquido (ROE) de 17%, ante 22,3% 12 meses antes.

Cyrela (CYRE3): “barata demais para ignorar”

Ainda assim, a casa avalia que CYRE3 negocia a múltiplos considerados deprimidos, com os papéis cotados a cerca de 0,8 vez o patrimônio tangível estimado para dezembro.

No acumulado dos últimos 30 dias, a ação cai aproximadamente 11% na bolsa de valores, enquanto o Ibovespa, principal índice da B3, recua 7% no mesmo período.

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Segundo o relatório, a construtora possui atualmente uma posição de estoque maior no segmento de alta renda do que nos anos anteriores, atingindo R$ 15 bilhões, ou 14 meses de vendas.

No entanto, uma análise mais detalhada sugere que a pressão está concentrado em poucos empreendimentos, como Vista Milano, Vista Venezia, Epic Jardins e Capri, que, juntos, representam 45% do estoque total da companhia em São Paulo.

“Esses projetos estão concentrados em bairros como Morumbi e Pinheiros, fora das regiões mais abastecidas, como Moema e Jardins. Embora a acessibilidade continue sob pressão, acreditamos que as comodidades diferenciadas, o posicionamento premium dos produtos e a execução de vendas de excelência da CYRE3 devem sustentar um desempenho relativamente superior ao longo do tempo”, disse o BBA.

“Nossa tese de investimento na empresa sempre se baseou em sua estratégia de diversificação, e continuamos confiantes nesse aspecto”, prosseguiu.

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O peso da baixa renda

No relatório, o banco também afirma que segue observando valor na estratégia da construtora de combinar operações de alta renda com a atuação no segmento popular por meio da Vivaz, marca focada no Minha Casa, Minha Vida (MCMV).

Pelas estimativas do Itaú BBA, a subsidiária de baixa renda deve representar cerca de 40% dos lançamentos da Cyrela em 2026 e entre 20% e 25% dos lucros da companhia.

A casa ainda destaca que os recebíveis corrigidos pelo INCC ajudam a proteger a empresa em cenários de inflação mais alta nos custos de construção, fator que vem preocupando investidores do setor imobiliário nas últimas semanas.

“Reconhecemos que existem riscos relacionados a custos de construção mais elevados no futuro, principalmente na Vivaz e nas joint ventures de baixa renda”, pontuou a instituição.

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“Contudo, a ampla carteira de recebíveis indexados ao INCC da CYRE3 no segmento de alta renda funciona como uma proteção natural contra a inflação”, acrescentou.

“Com as ações negociadas a apenas 0,8 vez o valor patrimonial líquido estimado para o final de 2026, acreditamos que o valuation já reflete um cenário macroeconômico muito mais difícil, ignorando em grande parte o valor intrínseco das joint ventures da empresa, a Vivaz e a torre corporativa da Pininfarina, que já está 100% locada.”

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Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
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