Banco Central do Japão (BOJ)

BC do Japão sinaliza chance de alta de juros enquanto Tóquio sustenta o iene

31 jul 2026, 8:00 - atualizado em 31 jul 2026, 8:13
(Imagem: Unsplash/Colton Jones)

O Banco do Japão alertou nesta sexta-feira (31), pela primeira vez, que a inflação subjacente pode ultrapassar sua meta e afirmou que as futuras discussões sobre política monetária se concentrarão nos riscos de alta dos preços, sinalizando a possibilidade de um aumento da taxa de juros já em setembro.

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Esses sinais hawkish surgiram após a suposta intervenção do governo nos mercados de Nova York na quinta-feira com compra de ienes, o que ressaltou a preocupação de Tóquio com os impactos negativos que o iene fraco está causando às famílias por meio do aumento dos custos de importação.

“Como a inflação subjacente está se aproximando de nossa meta de 2%, devemos estar mais atentos do que nunca aos riscos de alta dos preços. Debateremos nossa política monetária a partir de nossa próxima reunião tendo esse ponto em mente”, disse o presidente do banco central, Kazuo Ueda, em coletiva de imprensa, referindo-se à reunião de setembro.

“Em um momento em que há o risco de a inflação subjacente ultrapassar a meta, adiar as medidas necessárias poderia concretizar esse risco e prejudicar a economia”, disse ele, alertando que os riscos de a inflação superar a meta são “grandes demais para serem ignorados”.

Na reunião de política monetária que terminou nesta sexta-feira, o Banco do Japão manteve a taxa de juros de curto prazo em 1%, como amplamente esperado após um aumento para o nível mais alto em 31 anos no mês passado.

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A decisão do Banco do Japão e seu comunicado hawkish impulsionaram o rendimento dos títulos do governo japonês de dois anos. O iene inicialmente apresentou pouca reação à decisão, mas subiu acentuadamente no pregão europeu, com os operadores atentos à possibilidade de uma nova intervenção.

Não ficou imediatamente claro o que motivou o movimento do mercado nesta sexta-feira nem se as autoridades japonesas estavam atuando no mercado.

O membro da diretoria Hajime Takata foi o único a votar contra a decisão, defendendo um aumento dos juros para 1,25% para responder aos riscos inflacionários decorrentes de choques na demanda externa.

Em um relatório trimestral de perspectivas, o Banco do Japão destacou a forte demanda por IA e as flutuações cambiais, bem como os acontecimentos no Oriente Médio, como principais riscos inflacionários que podem afetar o ritmo e o momento de futuros aumentos da taxa de juros.

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“Existe o risco de que a inflação subjacente possa ultrapassar nossa meta de 2%”, afirmou o relatório, emitindo o alerta mais forte até o momento sobre a possibilidade de a inflação superar a meta.

Essa linguagem foi mais forte do que a utilizada no relatório anterior, divulgado em abril, no qual o banco afirmou que a inflação subjacente se aproximava de 2% e exigia vigilância em relação aos riscos de alta dos preços.

“A mensagem de Ueda na coletiva de imprensa foi clara: maior ênfase no fato de que a desvalorização do iene está contribuindo cada vez mais para a inflação”, disse Masahiko Loo, estrategista sênior de renda fixa da State Street Investment Management em Tóquio.

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A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.
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