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Por que o Bank of America reforça venda dessas duas ações mesmo com disparada das commodities? Um fator é decisivo

14 set 2026, 18:56
usinas açúcar etanol jalles são martinho
(iStock.com/Mailson Pignata)

A disparada das commodities agrícolas ainda não é suficiente para mudar a visão do Bank of America (BofA) sobre as ações da São Martinho (SMTO3) e SLC Agrícola (SLCE3). Em relatório de 11 de setembro, o banco reiterou a recomendação de underperform, equivalente à venda, para as duas companhias e apontou um fator decisivo para uma melhora mais expressiva dos resultados: o dólar.

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Na avaliação das analistas Isabella Simonato e Julia Zaniolo, a valorização dos grãos e do açúcar ajuda as empresas, mas o câmbio permanece como a principal variável para impulsionar revisões das projeções. E o cenário-base do banco, de R$ 5 por dólar, limita esse espaço no curto prazo.

“Apesar do movimento mais firme das commodities, acreditamos que o câmbio continua sendo o principal fator capaz de alterar as projeções de resultados de São Martinho e SLC Agrícola”, afirmam.

A análise ocorre após uma alta de aproximadamente 12% das commodities agrícolas em dólares desde o início de agosto. Segundo o BofA, o movimento combina petróleo mais caro, aumento das apostas dos investidores na valorização das matérias-primas e balanços de oferta e demanda mais apertados, especialmente para milho e açúcar.

Quanto o dólar pode mudar os resultados?

Para dimensionar o peso de cada variável, o banco simulou o efeito da atualização das projeções pelos preços de mercado dos grãos e do açúcar para 2027 — correspondente ao exercício fiscal de 2028 da São Martinho.

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Mantidas as demais condições, esse ajuste elevaria o Ebitda da São Martinho em 10% e o da SLC Agrícola em 7% em relação às estimativas do banco.

Já a inclusão de um dólar a R$ 6 acrescentaria uma alta de 40% e 29%, respectivamente, ao Ebitda das companhias. O exercício mostra como uma desvalorização do real poderia ampliar o benefício das commodities mais caras.

Esse, porém, não é o cenário central do BofA. Com o dólar a R$ 5 nas projeções, as analistas consideram limitado o potencial de revisão dos resultados no curto prazo e mantêm a avaliação negativa para os papéis.

Milho tem fundamentos mais fortes que soja

Entre os grãos, o milho apresenta o quadro mais favorável na avaliação do banco. A relação global entre estoques e consumo está projetada em 20,6% na safra 2026/27, o menor nível desde 2012/13, segundo o relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) citado na análise.

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Uma produtividade abaixo do esperado nas lavouras americanas poderia apertar ainda mais a oferta. Nesse contexto, o BofA vê sustentação para preços entre US$ 5,50 e US$ 6 por bushel.

A soja, por sua vez, tem uma margem de segurança maior. Sua relação entre estoques e consumo está em 28%, em linha com a média de dez anos, enquanto a produtividade nos Estados Unidos permanece próxima das expectativas iniciais.

Embora os investidores tenham ampliado as posições compradas, que apostam na alta dos preços, o banco considera os fundamentos da oleaginosa menos favoráveis que os do milho. Os riscos se concentram na produção sul-americana sob influência do El Niño.

Açúcar e algodão ainda podem subir, mas com limites

No açúcar, o atraso da moagem de cana no Brasil por condições climáticas adversas e as monções mais fracas na Ásia sustentam os preços.

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Segundo o BofA, boa parte desses fatores já está incorporada às cotações. Ainda assim, uma moagem brasileira mais lenta poderia aprofundar o déficit global e levar os preços a níveis moderadamente superiores a 20 centavos de dólar por libra-peso.

Para o algodão, a oferta mais apertada e o encerramento de posições vendidas também favorecem as cotações no curto prazo. A commodity apresenta um prêmio de 40% sobre o poliéster, abaixo da média histórica de 52%, o que melhora sua competitividade relativa.

O banco, contudo, vê potencial limitado de valorização adicional, com preços provavelmente oscilando em torno de 90 centavos de dólar por libra-peso.

Assim, mesmo com um ambiente mais favorável para as matérias-primas, o BofA ainda depende de uma mudança mais expressiva no câmbio para enxergar revisões maiores nos resultados de São Martinho e SLC.

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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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