Dólar avança a R$ 5,14 com eleições e petróleo no radar
O dólar à vista operou em alta ante o real com o avanço do petróleo e a continuidade da cautela no cenário político.
Nesta segunda-feira (14), a divisa encerrou o dia a R$ 5,1479, com alta de 0,44%.
O movimento local acompanhou o dólar global. Por volta de 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara a moeda a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com leve avanço de 0,08% aos 99,132 pontos.
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O que mexeu com o dólar hoje?
Por aqui, os investidores continuaram de olho no cenário eleitoral e nos riscos políticos. A nova pesquisa BTG Pactual/Nexus para a eleição presidencial mostrou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 47% e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 46% no segundo turno. Na semana anterior, Lula tinha 45% e Flávio, 46%.
Já no levantamento da Quaest, Lula tem 40% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro, 42% em um eventual segundo turno.
Também seguem no noticiário os ruídos no Supremo Tribunal Federal (STF), com a relação entre integrantes da corte e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, além dos desdobramentos do envio de emendas parlamentares para financiar o filme “Dark Horse”.
A disparada do petróleo Brent, que superou os US$ 109 o barril pela manhã, também pressionou o dólar globalmente, com o fechamento de um gasoduto da Arábia Saudita que foi atingido por um ataque de drones vindos do Iraque.
No meio da tarde, porém, a commodity moderou a alta diante das falas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a Rússia e a Ucrânia não vão mirar alvos de infraestrutura energética um do outro.
Segundo Trump, o Irã quer fechar um acordo “com urgência”, mas será ele quem decidirá se Washington optará ou não por participar de novas negociações de paz.
“A nação em crise que é o Irã quer fechar um acordo, com urgência e a todo custo. Serei eu quem decidirá se os EUA optarão ou não por participar — algo a que estamos abertos”, escreveu no Truth Social.
Já a agência de notícias iraniana ILNA, a partir de uma fonte paquistanesa envolvida nas consultas diplomáticas entre Estados Unidos e Irã, informou que existe a possibilidade de que Washington avance para um acordo “gradual” com Teerã.
A fonte acrescentou que, embora a pressão militar e econômica sobre o Irã continue, os Estados Unidos mantiveram os canais de comunicação abertos para que possam avançar em direção a entendimentos graduais, caso seja difícil chegar a um acordo abrangente.
O contrato mais líquido do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para novembro fechou com alta de 1,02%, a US$ 105,68 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres. Na máxima intradia, o Brent foi cotado a US$ 109,80.
Na avaliação do analista de investimentos da Nomad Luca Girardi, o dólar avançou frente ao real acompanhando o fortalecimento da divisa americana no exterior e o ambiente de aversão a risco em meio à deterioração da situação no Oriente Médio. “Domesticamente, o noticiário político segue atuando como catalisador de volatilidade, mas não foi o principal gatilho diário”, afirma.
Segundo ele, a conjuntura internacional se encaminha como elemento principal da movimentação do dólar. O rendimento do Treasury de dez anos rompeu a marca de 5% pela primeira vez desde 2023, ampliando a atratividade relativa do dólar.
Às vésperas da decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), o mercado, que até a semana passada majoritariamente esperava 2 elevações de juros de 0,25% até o final de 2027, agora espera 4 elevações, de acordo com a ferramenta Fed Watch, do CME Group, o que levaria o juros nos EUA para o patamar de 4,5 a 4,75%.
*Com informações de Reuters