Juros futuros ganham força com petróleo e crise do STF
A curva de juros futuros recuou em quase todos os vencimentos nesta segunda-feira (14), pressionados pelo aumento do petróleo, que fechou acima de US$ 100 o barril, e também pela incerteza trazida ao quadro eleitoral pelos novos desdobramentos da crise do Supremo Tribunal Federal (STF).
As taxas, porém, reduziram o ritmo de avanço ao longo da tarde, na esteira da acomodação da curva dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA, os Treasuries, e dos ganhos da commodity energética, após relatos sobre negociações entre Estados Unidos e Irã e uma trégua na guerra da Ucrânia.
A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, encerrou a 13,585%, de 13,583% do fechamento anterior, perto da estabilidade.
Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações em 13,915%, ante 13,843% do fechamento anterior, avanço de mais de 7 pontos-base.
A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, subiu 11,5 pontos-base e terminou o dia a 14,275%, ante 14,160% do fechamento da última sexta-feira (14).
Nos EUA, o yield do Treasury de dois anos – mais sensível à política monetária – operava a 4,668%, ante 4,644% do ajuste anterior, por volta de 18h05 (horário de Brasília).
Já o retorno do título de 10 anos — referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito — subia para 4,998%, de 4,975% da última sexta-feira, no mesmo horário.
O que mexeu com os DIs hoje?
Segundo Luciano Rostagno, estrategista-chefe da EPS Investimentos, o risco externo diminuiu um pouco na segunda etapa dos negócios, não só devido à desaceleração do petróleo, mas também após declarações do presidente dos EUA, Donald Trump.
“Ele quis conter o pessimismo em relação ao futuro da humanidade por conta da IA. Isso também ajuda, afinal a tecnologia pode trazer ganhos de produtividade enormes, e o mercado vê o avanço da IA como positivo”, disse.
Críticas do republicano a uma possível perda de ímpeto dos investimentos em IA ocorreram depois de CEOs de gigantes do setor, como Anthropic e OpenAI, terem defendido no último final de semana desacelerar o desenvolvimento de suas tecnologias, citando preocupações com segurança.
“O mercado quer ir animado para a eleição, mas o cenário externo está indo na contramão. Se o externo deixar, aqui vai melhorando”, disse um gestor de renda fixa de uma grande asset à Broadcast sob anonimato.
Nesta segunda, duas novas pesquisas eleitorais foram publicadas. A Quaest foi a primeira da campanha que mostrou Flávio Bolsonaro numericamente à frente do presidente Lula em eventual segundo turno, com 42% dos votos, ante 40% do petista. Já o levantamento BTG/Nexus mostra os dois também empatados tecnicamente, mas com vantagem de Lula (47% a 46%). “Acho que não houve muito impacto das pesquisas hoje, mas das notícias sobre o STF, sim”, avalia Rostagno.
Segundo o economista, os pedidos de vista sobre a sessão que julgará Moraes e a tentativa de ministros de incluir no julgamento temas não relacionados à relação do magistrado com Vorcaro passam a impressão a investidores de que o STF não está disposto a enfrentar a questão, e que as coisas permanecerão como estão. “O país está assistindo a deterioração diária de uma das mais importantes crises do STF, senão a mais importante”, afirmou.
Na política monetária, as apostas do mercado estão totalmente concentradas em mais uma queda de 0,25 ponto percentual da Selic na reunião desta quarta-feira, 16, para 13,75% ao ano. Para a reunião de novembro do Comitê de Política Monetária (Copom), a curva de juros apontava no fim desta tarde 40% de chance de nova redução, ante 60% de manutenção. A Selic terminal de 2026 está precificada em 13,57%.