Dívidas

Braskem (BRKM5) engrossa lista de 45 empresas que já pediram recuperação extrajudicial só neste ano; entenda

25 ago 2026, 10:42
Logo da petroquímica Braskem na unidade de Triunfo, Brasil, em 15 de dezembro de 2025. REUTERS/Diego Vara

A Braskem (BRKM5) confirmou nesta segunda-feira (24) um movimento que agitou o mercado: o pedido de recuperação extrajudicial para dívidas que somam US$ 10,9 bilhões (aproximadamente R$ 56 bilhões). Este passo da gigante petroquímica não é um caso isolado, mas, sim, o mais recente e volumoso de uma tendência crescente no cenário corporativo brasileiro.

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Dados do Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (Obre) apontam que, somente neste ano, já foram registrados 45 pedidos, com um valor total de dívidas que atinge R$ 174,5 bilhões.

A recuperação extrajudicial, que permite às empresas renegociar débitos diretamente com seus credores fora dos tribunais, tem se consolidado como uma ferramenta estratégica para companhias que buscam fôlego financeiro.

A Braskem se junta a uma lista de empresas de peso que já recorreram a este mecanismo somente neste ano, como a Oncoclínicas (ONCO3), com dívidas estimadas em R$ 5,1 bilhões, a Raízen (RAIZ4), com R$ 65,1 bilhões em junho, e o GPA (PCAR3), com R$ 4,5 bilhões em renegociação em março.

Detalhes da recuperação da Braskem

O plano da Braskem contou com a adesão inicial de 39,6% dos credores, e a companhia terá agora mais 90 dias de proteção para consolidar um plano final de reestruturação que exigirá a adesão de 50% mais 1 dos credores. Este plano prevê o alongamento dos prazos e a capitalização dos juros das dívidas durante um período de carência, conhecido como relief, para que a empresa possa ajustar sua operação e reorganizar sua estrutura financeira.

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Os acionistas principais, Petrobras (PETR4) e o fundo Shine I, apoiam a medida e podem contribuir com aportes de capital caso as metas não sejam atingidas. A Petrobras teve uma participação “firme” nas negociações, fator considerado “crucial” para o desfecho da recuperação extrajudicial, segundo fontes ouvidas pelo Broadcast.

A crise da Braskem, que já vinha de um período de negociações de dívidas, decorre de uma combinação de fatores: forte baixa no setor petroquímico, crescimento da dívida em relação à geração de caixa, passivos relacionados ao caso de afundamento de solo em Maceió e problemas de liquidez.

Mesmo com uma melhora operacional no segundo trimestre, a petroquímica registrava uma dívida líquida ajustada de US$ 9,4 bilhões ao final de junho. O plano de recuperação extrajudicial da Braskem ainda inclui a possibilidade de uma oferta de ações da empresa.

Crescimento dos pedidos de recuperação extrajudicial

Especialistas apontam múltiplos motivos para esse crescimento nos pedidos de recuperação extrajudicial. Um dos principais é o peso da alta taxa básica de juros (Selic) sobre as empresas brasileiras.

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Muitas companhias contraíram empréstimos vultosos durante a pandemia, quando a Selic estava em seu mínimo histórico de 2% ao ano. Com a taxa hoje em 14,25% ao ano (segundo o contexto do artigo de julho de 2026), o custo da dívida se tornou insustentável para muitas.

Além do fator macroeconômico, uma reforma em 2020 fortaleceu o mecanismo legal da recuperação extrajudicial no Brasil, gerando uma “mudança cultural”. A atualização tornou as reestruturações extrajudiciais mais flexíveis, permitindo, por exemplo, a exclusão de algumas classes de credores. Isso incentivou o início mais precoce das negociações de dívida, antes que um processo judicial se torne inevitável e mais custoso.

Juliana Biolchi, diretora do Obre, destaca que a simplicidade da recuperação extrajudicial, em comparação com as soluções judiciais, faz com que seja “cada vez mais associado a crises financeiras menos agudas”. Reestruturações judiciais são complexas, caras e podem manchar a reputação da empresa, além de afetar seu acesso a novas linhas de crédito.

Casos de grande repercussão, como a reestruturação extrajudicial das Casas Bahia em 2024, no valor de cerca de R$ 4,1 bilhões, e a da rede de lojas de móveis Tok&Stok, também em 2024, ajudaram a popularizar o uso desse instrumento. O processo se espalhou por diversos setores da economia, incluindo o agronegócio, que atualmente enfrenta um elevado endividamento.

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É jornalista formada pela ECA-USP, com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais para Jornalistas pela B3. Tem mais de 25 anos de experiência e passagem pelas principais redações do país – entre elas, Estadão, Folha, UOL e CNN Brasil. Atualmente, é editora-chefe do Money Times.
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