Construtora recua 4% na bolsa após resultados do 1T26; o que dizem BTG e XP?
Negociadas fora do índice Ibovespa, as ações da Lavvi Empreendimentos (LAVV3) operam em queda nesta quinta-feira (7), um dia após a incorporadora divulgar que teve lucro líquido de R$ 70 milhões nos primeiros três meses de 2026 (1T26), uma queda de 20% em relação ao mesmo período de 2025.
Por volta das 13h35 (horário de Brasília), os papéis recuavam perto de 4% na bolsa de valores (B3), negociados a R$ 12,16. Acompanhe o tempo real.
De acordo com o balanço reportado na noite de quarta-feira (6), a receita líquida da companhia somou R$ 373 milhões entre janeiro e março, expansão de 11% frente aos R$ 335 milhões apurados um ano antes, mas recuo de 30% versus o trimestre anterior (4T25).
Já o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado totalizou R$ 83 milhões, retração de 17% na base anual.
Em termos operacionais, a Lavvi encerrou o trimestre sem lançamentos reconhecidos contabilmente, enquanto as vendas líquidas contratadas totalizaram R$ 336 milhões na visão total, queda de 14% em um ano.
Para o BTG Pactual, a construtora reportou resultados mais fracos, embora já esperados pelo mercado, justamente por conta da ausência de lançamentos.
O banco destacou, porém, que o lucro líquido veio ligeiramente acima das projeções, mesmo com a queda anual de 20%, resultando em um retorno sobre patrimônio líquido (ROE) anualizado de 20%.
A casa também afirmou esperar uma aceleração dos números ao longo do 2T26, especialmente após o lançamento do projeto “Hípica Santo Amaro”, descrito pela própria companhia “como o maior de sua história”.
Além disso, o BTG ressaltou que a incorporadora registrou queima de caixa de R$ 44 milhões no 1T26, principalmente devido à aquisição de terrenos para recomposição do landbank (banco).
Como resultado, a Lavvi terminou março com uma dívida líquida de R$ 468 milhões, aumento de 19% em relação a dezembro, quando estava em R$ 393 milhões, ainda em um “nível aceitável”, segundo o banco.
A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e patrimônio líquido, encerrou o trimestre em 28,8%, ante 22,1% três meses antes.
“Os números da Lavvi estiveram, em grande parte, em linha com a nossa previsão. Mantemos recomendação de compra para as ações, apesar da nossa visão cautelosa sobre construtoras de médio e alto padrão”, afirmou o BTG.
“A empresa tem projetos diferenciados que têm apresentado um bom desempenho no meio de um cenário macroeconômico desafiador, além de estar também aumentando exposição ao Minha Casa, Minha Vida”, prosseguiu.
Pelas contas da instituição, os papéis negociam a um múltiplo P/L estimado para 2026 de 5 vezes. O preço-alvo é de R$ 23, o que representa potencial valorização de aproximadamente 89%.
O que diz a XP
A XP Investimentos, por sua vez, afirmou que a Lavvi reportou “resultados mistos”. Segundo a corretora, a receita líquida ficou 7% abaixo do esperado, refletindo a ausência de lançamentos reconhecidos no trimestre.
Por outro lado, as margens vieram mais resilientes que o projetado, sustentadas pelo reconhecimento do backlog (carteira de vendas já contratadas).
A casa também destacou que o lucro líquido superou as projeções em 22%, beneficiado por um resultado financeiro mais forte e efeitos tributários positivos.
“Avaliamos os resultados da Lavvi como mistos, com receitas abaixo das expectativas em função da ausência de lançamentos. Apesar disso, as margens se mostraram mais resilientes do que o esperado”, disse a XP.
“Mantemos nossa recomendação de compra, sustentada por uma visão estrutural positiva de longo prazo para a companhia”, acrescentou.
O preço-alvo para as ações é de R$ 26, o que implica potencial de valorização de cerca de 114% frente à cotação atual.