Construtoras caem em bloco nesta terça-feira (30); o que está por trás da queda?
As ações das incorporadoras e construtoras operavam majoritariamente em queda no pregão desta terça-feira (30), acompanhando o desempenho negativo do Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira (B3).
Por volta das 13h54 (de Brasília), Direcional (DIRR3) caía 1,76%, Plano&Plano (PLPL3) recuava 0,70%, Tenda (TEND3) perdia 1,68% e Cury (CURY3) tinha baixa de 0,40%.
Já a MRV&Co (MRVE3), que chegou a operar no vermelho mais cedo, passou a subir 0,38% no mesmo horário.
Como comparação, o Índice Imobiliário (IMOB), que mede o desempenho dos papéis de empresas de construção civil e exploração de imóveis, registrava queda de 1,3%. O IBOV, por sua vez, caía 0,54%.
O que explica a queda das construtoras na bolsa?
Apesar de o governo federal ter anunciado, na véspera (29), novas regras para o uso do FGTS — principal fonte de financiamento (funding ) do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) — como garantia no programa Crédito do Trabalhador, analistas avaliam que a medida não é a principal responsável pelo movimento negativo do setor.
Segundo Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital, a pressão sobre as ações do segmento está mais relacionada ao cenário macroeconômico e à percepção de risco fiscal do país do que às mudanças envolvendo o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço.
“Em relação ao FGTS, é um fator adicional, diria até que marginal. Não vejo algo particular ou decisivo para a construção, mas principalmente uma percepção de risco-Brasil”, afirmou ao Money Times.
De acordo com o especialista, a deterioração das expectativas fiscais tem mantido a curva de juros em patamares elevados, aumentando o custo de capital das empresas e reduzindo o apetite dos investidores por papéis ligados à economia doméstica, como incorporadoras, varejistas e companhias de consumo.
Saravalle relembrou também que o mercado esperava discutir uma Selic próxima de 12% no encerramento de 2026, mas disse que o cenário atual aponta para juros ao redor de 14% em dezembro, refletindo um ambiente de maior cautela.
“Hoje, o cenário-base é que a gente tem espaço somente para mais uma queda [na taxa Selic]. Ou seja, vai fechar o ano em 14%”, afirmou.
Além das preocupações domésticas, o estrategista citou as incertezas sobre a política monetária dos Estados Unidos (EUA) como outro fator que contribui para manter os juros de longo prazo pressionados.
Como exemplo de que o movimento não é exclusivo das construtoras, ele apontou que empresas de consumo também registravam perdas relevantes no pregão.
“A gente vê companhias de altíssima qualidade caindo 2%, até 3%, particularmente hoje. É um fator de preocupação global, mas principalmente local”, disse. “Global porque os EUA estão discutindo se vão aumentar as taxas e local porque, aqui no Brasil, nossa curva de juros não cede.”