‘Crise de autenticidade’ acende alerta para uso de IA nas eleições 2026, aponta pesquisa
Ao submeter o eleitorado a um teste prático de discernimento audiovisual, pesquisa nacional do Projeto Brief identificou uma “crise de autenticidade” que acende um alerta para as eleições 2026. A maior parte da população se perde ao tentar diferenciar arquivos verdadeiros de materiais falsificados por meio de Inteligência Artificial (IA).
Diante de um vídeo fraudulento construído digitalmente por robôs, apenas 45,3% dos respondentes conseguiram cravar a existência de manipulação tecnológica. Em contrapartida, 33% tomaram o conteúdo falso como legítimo, ao passo que o restante não soube emitir um julgamento claro.
O diagnóstico de desconfiança generalizada ficou ainda mais evidente quando o experimento apresentou aos eleitores uma filmagem inteiramente real. Neste cenário de controle, apenas 40,7% dos entrevistados acertaram ao classificar o material como autêntico, enquanto 33,9% suspeitaram da gravação legítima, acreditando erroneamente que estavam sendo enganados por uma montagem algorítmica.
Abismo geracional e a fragilidade no WhatsApp
O levantamento estatístico demonstra que a idade é um fator determinante no grau de vulnerabilidade digital. No estrato formado por jovens de 18 a 29 anos, o índice de sucesso na identificação do vídeo manipulado atingiu 58,2%.
Contudo, na faixa que engloba a população idosa, acima de 60 anos, os números sofreram uma inversão: apenas 20,9% perceberam a presença da IA, enquanto 47% asseguraram com convicção que a cena adulterada era real.
Carol Luck, coordenadora da pesquisa da Brief chama a atenção para o comportamento da ala jovem, que, embora exiba maior agilidade técnica para desmascarar montagens, errou o diagnóstico em 39%.
“O recorte por idade mostra uma vulnerabilidade importante para públicos mais velhos, especialmente diante de conteúdos plausíveis, com personagens reconhecíveis e circulação em ambientes de confiança pessoal, como grupos de WhatsApp”, avalia Luck.
Mundo dominado pelas fake news
“Fiquem atentos ao celular. O mundo está dominado pelas fake news“. A frase, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dita durante um evento no Amazonas na última quarta-feira (27) resume o cenário desafiador para partidos e eleitores em 2026. O Projeto Brief atesta que 62,9% dos eleitores consideram usar IA para pesquisar propostas nesta eleição. Deste montante, 40,5% usarão a tecnologia sob vigilância, efetuando dupla checagem, e 22,4% tratarão a IA como fonte usual de rotina.
A base de dados do levantamento apoia-se em hábitos consolidados. Pesquisas replicadas pelo Correio Braziliense detalham que 44,3% dos brasileiros já usam a inteligência artificial para buscar notícias ordinárias e 38,3% a adotam como termômetro de checagem de fatos.
Ao todo, 73,8% dos usuários frequentes dessas tecnologias admitem usá-las para guiar o voto. O estudo estruturou-se na coleta de dados de 2.483 cidadãos via questionários virtuais entre 25 e 29 de abril de 2026, divididos entre 1.000 informantes na base neutra, 723 sob impacto de mídias sintéticas e 760 analisando conteúdos preservados.
O Projeto Brief é uma plataforma de comunicação com foco em dados para compartilhar inteligência em comunicação para aprimorar narrativas, mapear e antecipar estratégias de comunicação, monitorar investimentos em mídia paga e democratizar o acesso a pesquisas avançadas em comunicação e psicologia social.
O mapeamento nacional coordenado coletou as respostas de 2.483 cidadãos utilizando questionários eletrônicos espalhados pelas redes sociais no período de 25 a 29 de abril de 2026. A estrutura do levantamento separou os colaboradores em três grupos específicos, sendo que 1.000 pessoas formaram a base neutra de comparação, 723 assistiram ao conteúdo adulterado por algoritmos e 760 analisaram apenas a filmagem verdadeira.
*Com supervisão de Gustavo Porto