CVC (CVCB3): O que está por trás da alta de até 23% nesta segunda-feira (4)?
As ações da CVC (CVCB3) operaram entre as maiores altas da B3 no pregão desta segunda-feira (4), em meio a especulações sobre ma eventual oferta pública de suas ações.
O colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, noticiou que a Desapegar.com, controladora da Decolar, está preparando uma oferta pública de aquisição (OPA) pelo controle da CVC.
Segundo as informações do jornal, o movimento tem como intuito consolidar a Desapegar como o principal nome de turismo na América Latina. O valor da proposta, segundo o jornal, deve superar os R$ 3,30 por ação, estabelecidos em aumento de capital realizado em 2023.
Mais cedo nesta segunda, a CVC enviou comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) negando o recebimento de qualquer comunicação ou proposta para uma eventual oferta pública de suas ações.
Posteriormente, o Valor Econômico informou que a Despegar está avaliando ativos específicos, como as operações da CVC na Argentina e a consolidadora de viagens corporativas Rextur Advance.
Por volta de 16h40 (horário de Brasília), as ações CVCB3 subiam 23,82%, cotadas a R$ 2,39. Acompanhe o tempo real.
Potencial positivo para a CVC
Na avaliação do Citi, as notícias são positivas para a CVC, tendo em vista que uma possível combinação entre CVC e Despegar já é discutida há bastante tempo no mercado, dada a natureza complementar de suas plataformas.
Por um lado, a CVC conta com maior presença offline, enquanto a Despegar é mais focada no online. Além disso, a CVC dispõe de uma operação B2B (de negócio para negócio) relevante, representativas de 40% das reservas totais.
“Dito isso, não se pode descartar desafios: os acionistas controladores podem exigir um prêmio significativo, enquanto uma eventual fusão dependeria de aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) , já que ambas as empresas possuem participação relevante tanto no online quanto no offline”, dizem os analistas do banco.
Para Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos da Axia Investing, a notícia de uma potencial OPA anima os investidores, uma vez que representa uma luz para a ação da CVC.
Ele pondera, no entanto, que a atual alta da ação é uma especulação do mercado, sendo necessário ocorrer o recebimento de uma proposta para dar continuidade na avaliação da operação.
Aperto financeiro
Em março deste ano, a CVC apresentou prejuízo líquido ajustado de R$ 3,6 milhões referente ao quarto trimestre de 2025, redução em relação ao prejuízo de R$ 12,8 milhões no mesmo período de 2024. O período foi marcado por melhora operacional, mas ainda pressionado pelo resultado financeiro.
A melhora da última linha foi sustentada principalmente pelo avanço do Ebitda (Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês), mesmo em um cenário de leve retração de receita e pressão no take rate.
A receita líquida somou R$ 362,1 milhões no 4T25, queda de 1,2% na base anual.
O desempenho reflete uma dinâmica clara de mix. No Brasil, o crescimento seguiu puxado pelo B2B, com destaque para Rextur Advance e Visual Turismo, que continuam ganhando escala no corporativo. Já o B2C teve evolução mais moderada, em um ambiente de consumo ainda mais desafiador.
A companhia deve divulgar os números do primeiro trimestre de 2026 no dia 13 de maio.