Comprar ou vender?

Dividendos: Esta ação pode liberar R$ 8 bilhões em capital, calcula Safra; ‘mercado está subestimando a capacidade’

14 jul 2026, 11:46 - atualizado em 14 jul 2026, 11:47
dividendos
(Imagem: QwazzMe Photo/Getty Images Signature)

O mercado parece não acreditar na capacidade da XP (XP) de distribuir dividendos. Pelo menos na visão do Safra, que elevou a recomendação de neutra para compra, com preço-alvo de US$ 22, potencial de alta de 34%.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Segundo os analistas, a empresa pode liberar R$ 8 bilhões em capital excedente entre o segundo trimestre de 2026 e o final de 2027, o equivalente a aproximadamente 75% do lucro distribuível por meio de recompras de ações e dividendos.

Essa bola já havia sido cantada pelo JPMorgan na semana passada. O banco também elevou as projeções para a corretora, citando o grande potencial de dividendos da companhia.

O banco projeta dividend yield de até 13%, sustentado pela forte geração de caixa e pela expectativa de distribuição de até R$ 5,5 bilhões aos acionistas, além de crescimento de cerca de 7% no lucro em 2026.

Apesar de o dividend yield tender a se estabilizar entre 7% e 8% nos próximos anos, a XP continua bem-posicionada. O JPMorgan destaca ainda as recompras de ações, o potencial impacto positivo de uma queda dos juros e mantém recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 136 para os BDRs.

Não é só isso

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O Safra destaca outros dois pontos que sustentam a recomendação. O primeiro é o preço. A ação negocia próxima dos níveis mais baixos observados após o processo de reprecificação do papel, com múltiplo preço/lucro (P/L) de 7,7 vezes para 2026 e 7,2 vezes para 2027.

Por outro lado, as estimativas de lucro continuam as mesmas, com lucro líquido em torno de R$ 5,5 bilhões a R$ 5,6 bilhões em 2026, equivalente a um ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de aproximadamente 22%.

“A compressão dos múltiplos já ocorreu, e o ciclo de revisões negativas que sustentava nossa visão mais cautelosa parece ter ficado para trás”.

Bancos para baixo, mercado de capitais para cima

E no mar da bolsa, o banco também tem preferência por ações ligadas ao mercado de capitais em vez dos bancões. Isso por conta da inadimplência.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Os analistas pontuam que a XP possui pouca exposição ao crédito, especialmente ao crédito de massa para pessoas físicas, segmento que deve sofrer maior pressão nos próximos 12 meses devido à inflação persistente e ao elevado nível de endividamento das famílias.

“Mesmo após dois anos de redução de risco, essa exposição ainda permanece nos balanços dos grandes bancos incumbentes.”

A tese é de que o mercado está muito focado nos índices de inadimplência, quando, na verdade, deveria estar de olho em outros dados, como as provisões para perdas esperadas (ECL), o custo do crédito e o volume de operações renegociadas.

Isso porque os programas do governo para renegociar dívidas podem frear a alta da inadimplência (por enquanto).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Esse cenário pode pressionar a qualidade dos lucros dos bancos em 2027, mesmo que os indicadores tradicionais de qualidade dos ativos permaneçam aparentemente saudáveis. As plataformas de investimento, por outro lado, estão posicionadas do lado mais favorável dessa dinâmica.”

Entre os pontos positivos do mercado de capitais, estão:

  • boa sustentação das receitas de renda fixa;
  • crescimento razoável dos ativos sob custódia, mesmo com a Selic em patamar elevado; e
  • potencial recuperação dos mercados, sem carregar uma carteira relevante de empréstimos a pessoas físicas sujeita à marcação a mercado.

Ainda assim, destaca o Safra, a XP permanece exposta aos riscos associados a títulos corporativos mantidos para futura distribuição ou como parte de sua alocação tática de capital.

Bônus: Receita pode avançar

A tese do banco para a XP não depende de uma retomada mais forte das receitas, justamente o principal ponto de frustração da companhia nos últimos trimestres.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na avaliação dos analistas, o período pré-eleitoral exige cautela, e o mercado já incorporou a perda da vantagem competitiva inicial da corretora na distribuição de produtos financeiros frente aos grandes bancos e ao BTG Pactual (BPAC11).

Assim, a recomendação se sustenta na combinação de proteção, geração de capital e maior previsibilidade dos lucros.

“Uma eventual queda dos juros ou fatores relacionados ao ciclo eleitoral são vistos apenas como potenciais catalisadores positivos, e não como premissas centrais da tese.”

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intensivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
Linkedin
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intensivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
Linkedin
Por dentro dos mercados

Receba gratuitamente as newsletters do Money Times

OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar