Dólar cai e fecha a R$ 4,98 com alívio nas tensões no Oriente Médio
O dólar à vista encerrou a semana em queda com a desescalada nas tensões no Oriente Médio, após a trégua temporária entre Israel e Líbano e a reabertura do Estreito de Ormuz.
Nesta quinta-feira (16), o dólar à vista (USDBRL) terminou as negociações a R$ 4,9833, com baixa de 0,19%, no menor nível desde 27 de março de 2024, quando atingiu R$ 4,9805.
Durante a sessão, a moeda chegou a ser cotada em R$ 4,9508 (-0,84%), na mínima intradia em mais de dois anos.
O movimento acompanhou o desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com recuo de 0,3%, aos 98,182 pontos.
Na semana, o dólar acumulou queda de 0,56% ante o real.
O que mexeu com o dólar hoje?
O mercado de câmbio continuou a monitorar os desdobramentos nas negociações de paz no Oriente Médio.
Pela manhã, o ministro das Relações Exteriores do Irã anunciou que a liberação total da passagem de embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz durante o período restante do cessar-fogo no Líbano. A trégua entre Líbano e Israel foi acordada na véspera (16), entrou em vigor hoje e deve durar 10 dias.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também declarou que Irã concordou em “nunca mais” voltar a fechar o Estreito de Ormuz.
Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o fechamento do Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã e uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo, era o principal ponto de atenção do mercado.
Cerca de um quinto do consumo global da commodity passa pelo ‘corredor’, que conecta principalmente grandes produtores do Oriente Médio — como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Catar — aos mercados da Ásia.
Há ainda a expectativa de um acordo de paz definitivo entre EUA e Irã. Trump disse a jornalistas na tarde de ontem (16) que poderia viajar ao Paquistão caso um acordo para pôr fim à guerra no Irã fosse assinado no país.
“A reabertura do Estreito de Ormuz derrubou o petróleo em mais de 10% e pressionou o DXY, abrindo espaço para a queda dos juros futuros dos EUA e enfraquecendo a moeda americana tanto frente a pares desenvolvidos quanto emergentes”, afirmou Bruno Shahini, especialista de investimentos da Nomad, em nota.
Em reação à desescalada das tensões geopolíticas com acordos de cessar-fogo temporário no Oriente Médio, o mercado refez as apostas sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos e passou a precificar um corte nos juros pelos Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) já em dezembro deste ano, no início da tarde.
No final do dia, após o Irã ameaçar fechar o Estreito de novo, o mercado adiou as apostas para janeiro.
Perto do fechamento, a ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava 53,8% de chance de o Fed retomar o afrouxamento monetário na primeira reunião de 2027, em 27 de janeiro. A probabilidade majoritária é de um corte de 25 pontos-base, com 38,4% de chance. Hoje, as taxas de juros estão na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
No Brasil, o movimento do dólar foi amplificado pelo diferencial de juros elevado, que segue sustentando o carry trade e atraindo fluxo externo.