Dólar avança e fecha a R$ 5,04 com incertezas geopolíticas e cenário eleitoral no Brasil
O dólar à vista ganhou força ante o real diante das incertezas geopolíticas em relação a um avanço diplomático entre Estados Unidos e Irã, além da pesquisa de cenário eleitoral indicando aumento da rejeição ao pré-candidato e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Nesta terça-feira (19), o dólar à vista (USDBRL) terminou as negociações a R$ 5,0405, com alta de 0,84%.
O dólar acompanhou o desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com avanço de 0,11%, aos 99.300 pontos.
O que mexeu com o dólar hoje?
O mercado de câmbio seguiu de olho no impasse entre Estados Unidos e Irã para alcançar um acordo diplomático, além do noticiário político doméstico.
No exterior, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou nesta terça-feira que os Estados Unidos e o Irã fizeram muito progresso em suas conversas e que nenhum dos lados quer ver uma retomada da campanha militar.
“Acreditamos que fizemos muito progresso. Achamos que os iranianos querem fazer um acordo”, disse Vance aos repórteres na Casa Branca.
Hoje, porém, Trump disse que os EUA podem precisar atacar o Irã novamente, e que estava a apenas uma hora de decidir sobre um ataque antes de adiá-lo. “Eu estava a uma hora de tomar a decisão de fazer hoje”, afirmou.
Além disso, os temores inflacionários com a guerra no Oriente Médio impulsionou o Treasury de 30 anos para o maior patamar desde 2007, alcançando 5,19%. Já o Treasury de 10 anos, considerado referência global para crédito, hipotecas e ativos de risco, foi para 4,68%, atingindo o maior nível desde janeiro deste ano.
Por aqui, os investidores acompanharam o levantamento AtlasIntel/Bloomberg para a eleição presidencial de outubro deste ano, realizado após a revelação das ligações entre o senador Flávio Bolsonaro e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Na pesquisa, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro despencou 6 pontos percentuais no cenário de segundo turno.
Em um eventual segundo turno, Flávio Bolsonaro tem 41,8%, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retomou a liderança, com 48,9% das intenções de voto. Na pesquisa de abril, o senador tinha ligeira vantagem na pesquisa, com 47,8%, ante 47,5% de Lula.
A rejeição de Flávio também superou a do presidente Lula pela primeira vez, de 52% contra 50,6% do candidato à reeleição.
Segundo o especialista em investimentos da Nomad, Bruno Shahini, o dólar operou em forte alta nesta sessão, pressionando o real e seus pares emergentes em meio ao avanço global da moeda americana e à escalada dos rendimentos das Treasuries.
“No cenário internacional, as idas e vindas nas negociações entre Estados Unidos e Irã mantêm o petróleo Brent acima do patamar de US$ 110 o barril, alimentando temores inflacionários e reforçando a perspectiva de juros restritivos por mais tempo na maior economia do mundo, o que estimula a migração de capital para a renda fixa americana”, explica Shahini.
Já no ambiente doméstico, a cautela foi amplificada pelo fator político após novas pesquisas eleitorais mostrarem uma perda de tração do senador Flávio Bolsonaro frente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, refletindo o desgaste decorrente das investigações envolvendo o banco Master.