Wall Street tem nova queda com escalada dos Treasuries e à espera de ata do Fomc
Os índices de Wall Street terminaram a sessão desta terça-feira (19) em queda com a disparada dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, em meio a incertezas sobre o Oriente Médio e cautela do impacto do conflito na inflação e na política monetária.
O S&P 500 engatou a terceira queda consecutiva.
Confira o fechamento dos índices:
- Dow Jones: -0,65%, aos 49.363,88 pontos;
- S&P 500: -0,67%, aos 7.353,61 pontos;
- Nasdaq: -0,84%, aos 25.870,71 pontos.
O que mexe com Wall Street hoje?
O cenário geopolítico seguiu no centro das atenções dos investidores, ainda que com um breve alívio entre Estados Unidos e Irã.
Ontem (18), o presidente norte-americano Donald Trump suspendeu um novo ataque militar contra o Irã que estava previsto para hoje, a pedido de autoridades do Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Já nesta terça-feira, Trump voltou a dizer que os EUA “talvez “precisem atacar o Irã novamente e que ele esteve a uma hora de ordenar um ataque antes de adiá-lo.
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, também afirmou que não pode garantir um acordo entre Washington e Teerã em coletiva de imprensa na Casa Branca.
Segundo Vance, Trump determinou que a equipe norte-americana negociasse “agressivamente” com o governo iraniano e ressaltou que houve “muito progresso” até o momento. Ainda assim, reconheceu dificuldades nas tratativas. “O Irã é um país muito complicado. Eles querem fazer um acordo, mas não é muito claro o que querem alcançar”, disse.
As incertezas geopolíticas sustentaram os preços do petróleo Brent acima de US$ 100 e aumentaram as preocupações dos investidores com choques inflacionários e elevaram a perspectiva de juros elevados por mais tempo nas principais economias do mundo.
Nos Estados Unidos, por exemplo, os agentes financeiros já precificama retomada do aperto monetário pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) a partir de dezembro deste ano.
Perto do fechamento, a ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava 59,2% de chance de o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) elevar os juros na última decisão de 2026.
As apostas se dividem em 41,6% de chance de alta de 25 pontos-base, 15,1% de uma elevação de 50 pontos-base e 2,3% de acréscimo de 75 pontos-base. Hoje os juros dos EUA estão na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
Em reação, os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, renovaram as máximas históricas. O juro projetado para o título de 30 anos, referência para o mercado de hipotecas local, atingiu 5.198%, alta de 6 pontos-base em relação ao fechamento anterior, no maior nível desde 2007.
Já o rendimento do Treasury de 10 anos — referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito — também teve alta de 6 pontos-base, para 4,687%, o maior nível desde janeiro de 2025.
Na tentativa de conter os preços dos combustíveis, o governo Trump está trabalhando com o Congresso para suspender impostos federais sobre gasolina e diesel, diante da escalada dos preços de energia com o barril do petróleo Brent acima de US$ 100, segundo a Bloomberg.
Em segundo plano
Os investidores também ficam à espera da ata da última decisão do Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA). O documento será divulgado amanhã (20).
Em abril, o Fomc manteve os juros inalterados pela terceira vez consecutiva, na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, em uma decisão não unânime. Stephen Miran foi o único voto dissidente, para um corte de 0,25 ponto percentual.
Contudo, o que chamou a atenção do mercado foi a dissidência de outros três membros: Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan apoiaram a manutenção dos juros, mas sem sinalização de flexibilização monetária. Essa foi a maior dissidência desde 1992.
No comunicado, o Fomc afirmou que continuará monitorando as implicações das novas informações para as perspectivas econômicas e acrescentou que “estará preparado para ajustar a postura da política monetária conforme apropriado, caso surjam riscos que possam impedir o alcance de seus objetivos”.