Magazine Luiza (MGLU3) e Casas Bahia (BHIA3) são destaque negativo do varejo no 1T26, diz Safra; farmacêuticas estão do lado positivo
A temporada de balanços do primeiro trimestre de 2026 (1T26) chegou ao fim e o Magazine Luiza (MGLU3) e a Casas Bahia (BHIA3) são os destaques negativos do varejo no período, na avaliação do Safra. Por outro lado, as varejistas farmacêuticas passaram por mais um trimestre positivo.
A equipe de analistas do banco destaca o desempenho da RD Saúde (RADL3), que entregou resultados acima do esperado, com rentabilidade sólida e robusta geração de caixa.
“Acreditamos que as varejistas farmacêuticas devem manter o momentum positivo de resultados no 2T26, principalmente sustentadas pelo crescimento das vendas de GLP-1 (medicamentos usados no tratamento de diabetes e obesidade, como Ozempic e Wegovy)”, diz o Safra.
Já do lado negativo, Magalu e Casas Bahia sofreram com a queima de caixa no último ano, tendência que deve persistir no segundo trimestre de 2026.
Outro destaque negativo destacado pelo Safra, neste caso do segmento alimentício, é o Grupo Mateus (GMAT3), principalmente devido à queda significativa no SSS (vendas de mesmas lojas, em português), o que também não deve mudar no próximo trimestre, na visão dos analistas.
O banco destaca ainda nomes como Hypera (HYP3), que apresentou o 3º resultado livre de ajustes de turnaround (reestruturação), desta vez crescendo acima do mercado, movimento que está sendo monitorado pelos analistas.
Quanto ao Mercado Livre (MELI34), a margem Ebit (lucro antes de juros e impostos) deve permanecer pressionada devido a despesa PDA (provisão para devedores duvidosos), políticas comerciais (como frete grátis) e/ou abertura de novos centros de fulfillment, que são essenciais para sustentar o forte ritmo de crescimento da companhia (acima de 40% ao ano).
“No geral, acreditamos que as empresas que foram destaque positivo nesta temporada devem continuar apresentando resultados sólidos, em especial as varejistas farmacêuticas”, diz o Safra.
O varejo no 1T26
Na leitura do Safra, o trimestre positivo das varejistas farmacêuticas teve impulso de uma dinâmica sólida de SSS e expansão de margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).
Em termos de perspectiva, os analistas esperam crescimento saudável para o segmento sustentado pela continuidade do aumento da penetração de GLP-1 e, especialmente, pelo lançamento esperado de genéricos de GLP-1 no segundo semestre de 2026, que representa um catalisador relevante para a cobertura.
No caso do e-commerce, o ambiente macro e competitivo permaneceu desafiador em toda a cobertura. Em termos de perspectiva, o Mercado Livre deve continuar crescendo em ritmo sólido, embora a volatilidade de margem deva persistir.
Além disso, o segundo trimestre do ano deve permanecer desafiador para o Magalu, dado o ambiente macro e competitivo adverso, apesar de uma estrutura operacional mais enxuta. Para a Casas Bahia, o Safra deve acompanhar de perto a dinâmica de fluxo de caixa, que melhorou na comparação trimestral, mas ainda apresenta desempenho negativo.
Por fim, no varejo alimentar o trimestre foi marcado por desaceleração de SSS, apesar da inflação positiva de alimentos (+2,2% ao ano), já que o cenário macro pressionou os resultados devido aos juros elevados e a uma população bastante alavancada.
“Como consequência, observamos menor volume de vendas, combinado com continuidade do trade down neste trimestre”, diz o Safra.