Dólar recua a R$ 4,98 com atenções voltadas ao Oriente Médio
O dólar reduziu a queda no final do pregão diante da continuidade no impasse entre Estados Unidos e Irã para avançar em um acordo de paz.
Nesta segunda-feira (27), o dólar à vista (USDBRL) terminou as negociações a R$ 4,9821, com queda de 0,32%. Na mínima, a moeda chegou a operar a R$ 4,9642 (-0,68%).
O movimento acompanhou o desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com queda de 0,06%, aos 98,470 pontos.
O que mexeu com o dólar hoje?
O mercado de câmbio seguiu acompanhando os desdobramentos do conflito no Oriente Médio, com as negociações entre Estados Unidos e Irã travadas.
Segundo a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discutiu uma nova proposta iraniana para resolver a guerra com Teerã com seus principais assessores de segurança nacional nesta segunda-feira.
Leavitt não ofereceu uma opinião sobre a proposta, na qual o Estreito de Ormuz seria aberto e o programa nuclear do Irã discutido em uma data posterior. Mas ela disse que as exigências básicas de Trump continuam as mesmas: a hidrovia de trânsito de petróleo aberta e que o Irã entregue seu urânio enriquecido.
“Eu não diria que eles estão considerando a possibilidade. Eu diria apenas que houve uma discussão esta manhã que eu não quero adiantar, e vocês ouvirão diretamente do presidente, tenho certeza, sobre esse assunto”, disse ela.
Já do lado iraniano, o ministro das Relações Exteriores do país, Abbas Araghchi, afirmou nesta segunda-feira que os Estados Unidos “não alcançaram nenhum de seus objetivos” no confronto com Teerã e, por isso, solicitaram negociações, acrescentando que o governo do Irã ainda avalia a proposta.
Por aqui, os investidores acompanharam as expectativas dos economistas consultados pelo Banco Central (BC), que mantiveram a perspectiva de corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta semana, ao mesmo tempo em que voltaram a elevar a perspectiva para a inflação neste ano.
A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 aumentou pela sétima semana seguida, a 4,86%, de 4,80% antes. Para 2027 a conta foi ajustada para cima a 4,00%, de 3,99%.
Segundo o especialista de investimentos da Nomad, Bruno Shahini, o dólar apresentou leve queda na sessão com o DXY lateral e sem novos catalisadores relevantes, mesmo diante das incertezas geopolíticas. Com a ausência de uma piora adicional no cenário, a demanda por proteção ficou limitada.
“Em paralelo, o mercado de juros operou com viés de alta, acompanhando o movimento no exterior: as Treasuries abriram ao longo da curva, pressionadas pela alta do petróleo. Esse movimento foi replicado na curva de DI, reforçando a sensibilidade do mercado local ao cenário internacional”, detalha Shahini.