Dólar a R$ 4,90? Um fator deve impulsionar uma queda adicional da moeda norte-americana, segundo analista
O dólar perdeu força ante o real e nesta semana alcançou os inéditos R$ 4,9508, com recuo de 0,84%, nesta sexta-feira (17) após notícias otimistas de cessar-fogo no entre Líbano e Israel, abertura do Estreito de Ormuz pelo Irã e expectativa de tratativas entre Estados Unidos e o pais persa ainda neste final de semana.
Os fundamentos que sustentam o fortalecimento do real não devem proporcionar uma nova rodada de queda intensa, com o movimento agora ficando à mercê da desvalorização do dólar globalmente.
Em entrevista ao Money Times, o especialista de inteligência de mercado da Stonex Lucca Bezzon ressalta que o real já se valorizou bastante na comparação com o dólar, com o câmbio saindo de R$ 5,50 no começo de 2026 para R$ 4,99 em menos de quatro meses.
Segundo Bezzon, o movimento de enfraquecimento global do dólar já era observado desde 2025 diante da política tarifária dos Estados Unidos, com os investidores procurando maior diversificação fora da moeda norte-americana.
“Moedas como o peso mexicano e o real ganharam bastante atração de divisas vindo do exterior, com o fluxo de investimento estrangeiro batendo recordes na B3 e a taxa de juros elevada também favorecendo a moeda brasileira neste contexto”, acrescenta.
Na última semana, a moeda norte-americana recuou 0,97%, enquanto as quedas no mês e no ano foram de 4,19% e 9,60%, respectivamente.
Além disso, o especialista da Stonex aponta que fatores baixistas para o câmbio se materializaram com o apetite ao risco, enquanto a guerra no Oriente Médio mostra sinais de arrefecimento.
Por volta das 11h48 (horário de Brasília), o dólar operava a R$ 4,9717, com queda de 0,42%. O DXY, que compara a moeda norte-americana com uma cesta de outras seis divisas, recuava 0,44%, a 97,771 pontos.
Ceticismo quanto ao dólar
Por mais que existam fundamentos para explicar a queda do real, Bezzon ressalta que a extensão desse movimento deve vir de um enfraquecimento adicional do dólar, e não de um fortalecimento do real.
“O que temos visto é que o ceticismo em relação ao dólar está associado às políticas comercial e econômica do presidente dos EUA, Donald Trump“, diz. “Quando começou o conflito no Irã, o dólar se valorizou porque, diante de toda essa desconfiança, ele é considero o principal porto seguro, uma vez que os investidores conseguem comprar outros ativos com a moeda norte-americana em mãos”, explica.
Para o analista, o ativo é mais brando e moderado em momentos de incerteza, no entanto, dúvidas em cima do dólar contribuíram para a perda de força da divisa com o real — o que já favoreceu muito a moeda brasileira no último ano.
Por ora, Bezzon prevê que o piso para o dólar esteja na faixa dos R$ 4,90 no curto prazo, a não ser que ocorra algum outro evento que gere forte reação no mercado.
O que deve pesar no câmbio à frente
Apesar do momento positivo para o real, Bezzon afirma que a proximidade do período eleitoral pode trazer maior volatilidade para o câmbio, algo já observado anteriormente.
Após a notícia da abertura do Estreito de Ormuz, a ferramenta Fed Watch, do CME Group, aponta que uma redução nos juros pelo Federal Reserve deve ficar apenas para dezembro deste ano (52,6%). A probabilidade majoritária é de um corte de 25 pontos-base, com 38,5% de chance.
Hoje, as taxas de juros estão na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. Antes, a expectativa era de uma redução nos Fed Funds apenas entre junho e julho do ano que vem.
Com esse cenário, Bezzon explica que a moeda brasileira deve perder uma âncora: o diferencial de juros. “O Banco Central deve seguir cortando a Selic, enquanto o Federal Reserve mantém a taxa no intervalo de 3,50% a 3,75%, diminuindo o diferencial de juros”, explica.
Para o fim do ano, o especialista da Stonex espera uma trajetória ascendente para o câmbio, com recuperação do dólar ao longo do ano.