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Está na hora de comprar Brasil, diz XP

01 jun 2026, 15:26 - atualizado em 01 jun 2026, 15:26
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(Imagem: Canva Pro)

A bolsa brasileira continuou a perder o fôlego e descolou dos principais pares emergentes em maio. No mês, o Ibovespa (IBOV), principal índice da bolsa de valores, acumulou perda de 7,22%, a maior queda mensal desde fevereiro de 2023.

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Com a forte queda, o indicador de sentimento da XP voltou ao “pessimismo extremo”, o que é sinal de “compra”, na avaliação dos estrategistas.

“Nosso indicador técnico/sentimento voltou para território de compra. A última vez em que esse indicador atingiu o nível de pessimismo extremo foi em janeiro de 2025, o que se mostrou uma ótima oportunidade de compra”, avaliaram Fernando Ferreira, Raphael Figueiredo, Caio Souza e Antonio Mello, em relatório.

Em fevereiro, antes do início da guerra entre Estados Unidos e Irã, o índice estava em 100, o que indicava “otimismo extremo”.

Os 3 motivos para a forte queda do IBOV

Um dos motivos para a queda do Ibovespa em maio foi a saída contínua de fluxo estrangeiro, revertendo o forte fluxo de capital no primeiro trimestre. Segundo a XP, dos 26 pregões do mês, 24 registraram saída de capital.

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A XP considera que a reversão do fluxo estrangeiro na bolsa brasileira, positivo até a primeira metade de abril, reflete a renovada atenção do mercado em tecnologia e no “trade de inteligência artificial“ – que favoreceu ações dos Estados Unidos e emergentes asiáticos como Taiwan e Coreia do Sul.

Já os mercados ligados a commodities, por outro lado, se beneficiam do trade de “ativos pesados, baixa obsolescência” (HALO, em inglês), como é o caso do Brasil, segundo a XP.

“O EWZ (ETF de Brasil) se descolou do EEM (ETF de Mercados Emergentes), à medida que os fluxos de investidores migraram para a Ásia emergente, principalmente Coreia do Sul e Taiwan. Enquanto o Brasil caiu em maio, o KOSPI (índice da Coreia do Sul) subiu mais 26% e Taiwan avançou 16%, à medida que a escassez de memória e a demanda por semicondutores se tornaram o tema central para os investidores”, destacaram os estrategistas em relatório.

Eles também avaliam que os juros foram mais um fator de pressão para a renda variável. “À medida que as expectativas de inflação sobem, uma taxa terminal da Selic mais alta é precificada pelo mercado”, afirmaram.

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O mercado precifica a inflação a 5,68% em 2026 e uma Selic em 13,8%, em média, em dezembro deste ano – com a curva futura precificando apenas 115 pontos-base até o fim de 2026. Hoje, a Selic está em 14,50% ao ano.

A bolsa brasileira é fortemente correlacionada às taxas de juros, já que o custo de capital é um determinante importante do valor justo das ações.

Esse movimento pode ser observado pelo descolamento entre o Ibovespa, que acumula alta de 10% desde janeiro até agora, e o índice de Small Caps (SMLL), que está praticamente estável em 2026.

Small Caps têm maior exposição a nomes cíclicos domésticos e menor exposição a commodities e bancos.

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Além disso, a volatilidade em torno das eleições, conhecido como ‘trade eleitoral’, já começou.

“Ao contrário da nossa expectativa inicial de que as eleições não necessariamente trariam maior volatilidade no Brasil, maio mostrou o oposto”, afirmaram Fernando Ferreira, Raphael Figueiredo, Caio Souza e Antonio Mello, em relatório.

“As notícias divulgadas envolvendo o candidato Flávio Bolsonaro levaram a uma mudança nas pesquisas de opinião ao longo do mês e a um ajuste no Polymarket nas probabilidades atribuídas aos candidatos de direita, levando a maior volatilidade dos ativos brasileiros em maio”, acrescentaram.

Para os estrategistas, a trajetória fiscal é o ponto central de preocupação para os investidores e o principal motivo para o nível muito elevado de juros reais exigidos para “carregar” títulos públicos. “Como resultado, a dívida/PIB do país vem aumentando de 3 a 4 pontos percentuais por ano, caminhando para atingir 100% nos próximos anos”, calculam.

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Como se posicionar agora?

A XP mantém a projeção do Ibovespa em 205 mil pontos no fim de 2026, o que representa um potencial de valorização de 18% sobre os níveis atuais.

A visão positiva é sustentada pela expectativa de um encerramento do conflito no Oriente Médio. O evento pode beneficiar os ativos de mercados, incluindo o Brasil, com a melhora no sentimento de risco.

“O principal canal de melhora para o Brasil deve ser via expectativas de inflação e de juros, caso o preço do petróleo recue adicionalmente com a reabertura do Estreito de Ormuz”, dizo relatório.

“Continuamos vendo o Brasil como um vencedor relativo no cenário global, dado seu baixo risco geopolítico, valuation atrativo e juros elevados.”

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Na carteira recomendada para junho, a XP aumentou a participação em B3 (B3SA3) de 5% para 7,5%, com a perspectiva de que a atividade de mercado de capitais tem apresentado uma tração maior do que o ano passado.

A posição em Petrobras (PETR4) foi reduzida de 10% para 5% “para abrir espaço para exposição a outros setores”.

RD Saúde (RADL3) foi excluída para ajustar o posicionamento da carteira em direção a ações com melhor momentum de resultados.

“Apesar de seguirmos construtivos com a tese estrutural da companhia e a enxergarmos como uma opção defensiva com execução consistente, a desaceleração do GLP-1 e a nova legislação de jornada de trabalho representam ventos contrários no curto prazo”, afirmaram os estrategistas.

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Orizon (ORVR3) passou a integrar a carteira, com peso de 2,5%, refletindo a visão construtiva da XP para a empresa. Para os estrategistas, o mercado ainda não está precificando integralmente o potencial de criação de valor da transação entre Orizon e Vital.

Confira onde investir em junho, segundo a XP:

CompanhiaTickerPesoRecomendaçãoPreço-Alvo
PRIOPRIO35,0%CompraR$ 64,00
PetrobrasPETR45,0%CompraR$ 47,00
GerdauGGBR45,0%CompraR$ 25,00
ValeVALE35,0%NeutroR$ 85,00
Lojas RennerLREN35,0%CompraR$ 22,00
IguatemiIGTI1110,0%CompraR$ 32,00
LocalizaRENT310,0%CompraR$ 65,00
EmbraerEMB35,0%CompraR$ 92,00
TOTVSTOTS35,0%CompraR$ 50,50
CopelCPLE310,0%CompraR$ 19,87
SabespSBSP35,0%CompraR$ 38,25
OrizonORVR32,5%CompraR$ 97,48
B3B3SA37,5%NeutroR$ 16,00
BTG PactualBPAC115,0%CompraR$ 63,00
NubankROXO345,0%CompraR$ 18,60
Itaú UnibancoITUB410,0%CompraR$ 51,00
Fonte: XP

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
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