Governo brasileiro está preocupado com eventuais novas tarifas dos EUA, diz Durigan
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta segunda-feira (1) que o governo federal está preocupado com uma eventual imposição de tarifas pelos Estados Unidos (EUA) sobre produtos brasileiros.
Em entrevista ao SBT News, Durigan afirmou que a aplicação de tarifas por meio da Seção 301, que investiga supostas práticas comerciais desleais do Brasil, se confirmada, seria feita à revelia dos “bons argumentos” e justificativas já apresentados pelo governo brasileiro.
Ele ressaltou que a investigação, aberta em julho do ano passado, pode estar em fase de conclusão e o governo brasileiro espera receber notícias sobre o tema em breve, antes da conclusão de negociações tarifárias que estão sendo feitas em paralelo pelos dois países.
Em relação às tratativas sobre tarifas, intensificadas após visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao presidente Donald Trump em maio, Durigan disse, sem entrar em detalhes, que a negociação comercial poderá passar pelos setores de etanol e bens de capital. “A gente vai chegar a um bom acordo”, afirmou.
O ministro ainda demonstrou preocupação com a decisão dos Estados Unidos de designarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais.
Segundo ele, a medida pode elevar custos de instituições financeiras brasileiras, com impacto sobre tarifas bancárias, impossibilitar o acesso ao Pix por bancos eventualmente afetados por sanções e aumentar a percepção de risco do Brasil.
“Nós estamos cuidando de combater o crime organizado e gostaríamos de ter a contribuição de outros países e dos Estados Unidos”, disse, rejeitando a ideia de classificação das facções como terroristas pelos EUA.
O ministro afirmou que pode ligar “a qualquer momento” para o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, mas ponderou que “não cabe ao Brasil estar no lugar de vassalagem, de passar a mão no telefone toda hora e ficar implorando aos Estados Unidos”.