Dólar cai mais de 1% e abandona o nível de R$ 5,20: cenário mudou?
O dólar à vista abandonou o nível de R$ 5,20 nas primeiras horas do pregão desta quarta-feira (19) com a melhora do humor do investidor global.
Nesta manhã, o dólar à vista bateu a mínima intradia a R$ 5,1566 (-1,24%). Ontem (18), a moeda encerrou o dia a R$ 5,2112 (+0,40%) no mercado à vista.
No exterior, o DXY, indicador que compara a moeda a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, opera em queda e perdeu o suporte aos 99 pontos para o nível dos 98 pontos.
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Mais cedo, o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou uma operação ampliada de recompra de títulos de longo prazo, dobrando o tamanho das operações de recompra de suporte de liquidez para títulos de cupom nominal de 10 a 20 anos e de 20 a 30 anos.
O movimento acontece após o forte estresse sobre os títulos de longo prazo na véspera. Nesta terça-feira (18), o rendimento (yield) dos título do Tesouro norte-americano, Treasury, de 30 anos – referência para hipotecas de longo prazo – atingiu 5,337%, o nível mais alto desde meados de 2002.
“A notícia mostra que Tesouro americano não quer, ou não está confortável com as recentes altas das taxas mais longas. Com isso todas as taxas de juros futuras nos EUA estão caindo hoje, e por conta disso o dólar também cai frente a todas as moedas. No momento, o Real e o Peso Chileno são as moedas com as maiores valorizações, em torno de 1%”, afirmou Marcos Weight, Diretor de Tesouraria do Banco Travelex, ao Money Times.
Em linhas gerais, a medida do Tesouro aumenta a liquidez disponível do mecado, reduzindo os rendimentos dos Treasuries e abrindo espaço para a retomada do ingresso do fluxo estrangeiro para o mercado brasileiro – dando força ao real.
Mas, na visão de Leonardo Matos, analista de inteligência de mercado da StoneX, o enfraquecimento global do dólar mostra uma reação negativa dos investidores ao anúncio do Tesouro norte-americano.
“Os investidores acreditam que [a decisão de aumentar a recompra de títulos] é um movimento estéreo, que não resolve os problemas que estavam por trás da alta nas taxas de longo prazo e que não deve ser capaz de impedir novos aumentos nos rendimentos dos Treasuries de longo prazo por si só”, avalia Matos.
O especialista destaca que a recente alta nos rendimentos dos Treasuries deve-se à crescente preocupação do mercado sobre a inflação e trajetória fiscal da maior economia do mundo. “Os EUA incorrem em déficits fiscais amplos há muito tempo e [o governo] não tem mostrado nenhum apetite por fazer uma consolidação fiscal.” Cortar gastos “não é uma prioridade nem do Executivo nem do Legislativo neste momento”, acrescenta.
Para ele, a medida trata-se de uma tentativa do secretário do Tesouro, Scott Bessent, para conter a alta dos juros dos Treasuries, já que o Departamento não tem autonomia para cortar os gastos públicos. “Esse é um jeito, digamos, heterodoxo de tentar lidar com a situação”, afirmou Matos.
A instabilidade geopolítica e pressão dos preços de energia com a recente valorização dos petróleo, também têm aumentado a cautela dos investidores globais e colocado pressão sobre os Treasuries.
Nesta quarta-feira, o mercado ainda aguarda a ata da última decisão do Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), a ser divulgada às 15h (horário de Brasília).
Na última decisão, em julho, o Fed manteve os juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano pela quinta vez consecutiva, mas com a maior dissidência entre os diretores em uma década.
O documento deve calibrar as apostas sobre a trajetória dos juros na maior economia do mundo. Hoje, a aposta majoritária segue de manutenção dos juros nas próximas duas reuniões, de setembro e outubro, e o mercado já precifica uma alta nas taxas na última decisão do ano, em dezembro.