Esta ação pode subir 33% na bolsa e pagar dividendos de 11,5%, segundo a Genial
A Genial Investimentos iniciou a cobertura de Allos (ALOS3) com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 38 para as ações, o que representa potencial de valorização de 33% frente à cotação atual, de R$ 28,55.
Em relatório, João Caldas, analista da corretora, afirmou que a tese se baseia principalmente na estratégia da companhia de simplificação e qualificação do portfólio.
Segundo ele, a empresa tem vendido, nos últimos anos, shoppings considerados não dominantes e concentrado esforços em empreendimentos com maior relevância regional, maior fluxo de consumidores e melhor capacidade de precificação de aluguel.
Esse movimento, de acordo com o analista, já se reflete em ganhos operacionais, com avanço de vendas por metro quadrado (m²) e aumento da rentabilidade dos ativos remanescentes. A avaliação é de que a reorganização ainda tem espaço para continuar impulsionando resultados.
“Nossa tese é que a companhia negocia a um valuation que ainda não reflete a melhora estrutural da qualidade do portfólio, decorrente da simplificação e reciclagem de shoppings, do avanço da Helloo (plataforma de publicidade digital) e dos projetos multiuso”, disse Caldas.
Crescimento e novas fontes de receita
No caso da expansão da Helloo, braço da Allos que atua com telas de propaganda em shoppings, edifícios residenciais e aeroportos, o relatório destaca a unidade como um vetor importante de diversificação, reduzindo a dependência da receita tradicional de aluguel.
De acordo com a Genial, a expectativa é de crescimento relevante dessa frente nos próximos anos, com aumento gradual da participação dos serviços na receita total da empresa.
“A receita de mídia da Allos cresceu 20% de 2024 para 2025, impulsionando o segmento de serviços para 11,7% da receita total”, afirmou o banco.
“Impulsionados pela Helloo, estimamos que o segmento de serviços deve atingir cerca de 14,5% da receita consolidada da Allos em 2028, com crescimento real médio projetado de 5,3% ao ano”, acrescentou a casa.
Quanto aos chamados projetos multiuso, que são empreendimentos imobiliários nos entornos dos shoppings, a Genial também os cita como potenciais catalisadores de crescimento, ao contribuírem para maior fluxo de pessoas e valorização dos ativos.
O objetivo é simples: aumentar a densidade demográfica perto dos shoppings e, assim, garantir consumidores qualificados.
Allos: dividendos seguem como destaque
Mesmo com a estratégia voltada a crescimento, a Allos tem mantido um robusto perfil de distribuição de resultados.
Para 2026, a projeção da Genial é de pagamento de cerca de R$ 1,75 bilhão em dividendos, o que implica um dividend yield estimado em aproximadamente 11,5% nos preços atuais.
A título de comparação, entre 2023 e 2025, a companhia retornou cerca de R$ 3,3 bilhões aos acionistas.
“Embora não haja um guidance formal de dividendos para além deste ano, a empresa reforça que a remuneração ao acionista deve permanecer como pilar central, com foco em previsibilidade e sustentabilidade dos pagamentos, em vez de expansão agressiva de payout”, diz o relatório.
“Dito isso, avaliamos positivamente eventuais retenções de capital destinadas a expansões ou aquisições de shoppings, sobretudo se direcionadas a ativos dominantes ou projetos com maior potencial de retorno ajustado ao risco, os quais tendem a ser estruturalmente mais geradores de valor no médio e longo prazo”, prosseguiu.
O banco também projeta um aumento composto do lucro operacional de 8% nos próximos cinco anos para a Allos, apoiado pela maior eficiência dos shoppings e pela escala da companhia, que detinha cerca de 20,9% das vendas do setor no Brasil em 2025.
“Esse tamanho traz vantagens em negociações com lojistas e ganhos de eficiência operacional”, apontou a casa.
Pontos de atenção
Entre os principais riscos para a tese, a Genial cita a capacidade limitada de captura dos benefícios de expansões e a menor penetração da Helloo no portfólio, o que pode limitar a contribuição como vetor de diversificação e crescimento de receitas recorrentes.
Há, ainda, o risco relacionado à execução do pipeline de projetos multiuso, cuja monetização ocorre de forma gradual e depende de aprovações, lançamentos e desenvolvimento.