EWZ avança após corte da Selic em dia negativo nos mercados acionários
O iShares MSCI Brazil (EWZ), que é um fundo de índice (ETF, na sigla em inglês) negociado na Bolsa de Nova York (NYSE) que replica o desempenho do mercado acionário brasileiro – e que também opera influenciado por fatores externos -, subia 0,39%, a US$ 38,80, às 19h10 (horário de Brasília) desta quarta-feira (29).
O desempenho sucede a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que cortou a Selic de 14,75% para 14,50% ao ano. Essa foi a segunda flexibilização consecutiva do Banco Central, em linha com o esperado pelo mercado.
No pregão regular, o EWZ fechou com baixa de 2,62%, a US$ 36,65, em dia negativo para os mercados globais após decisão de juros nos Estados Unidos.
A decisão do Copom foi divulgada após o fechamento do pregão regular dos mercados. O principal índice da bolsa brasileira, Ibovespa (IBOV), terminou as negociações com queda de 2,05%, aos 184.750,42 pontos.
Já o dólar à vista encerrou as negociações a R$ 5,0018, com alta de 0,39%, em linha com o DXY.
Selic a 14,50%
O Copom deu sequência ao ritmo de cortes na Selic, reduzindo a taxa básica de juros a 14,50% ao ano.
“O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,50% a.a. e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”, diz o comunicado.
“Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das utuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, acrescentaram os diretores.
Os diretores mantiveram a menção ao conflito no Oriente Médio, afirmando que o cenário externo permanece incerto em meio à incertezas quanto a duração, extensão e desdobramentos do conflito.
As projeções para inflação para 2026 e no horizonte relevante também tiveram ajustes para cima.
“Os indicadores correntes de atividade econômica mostram recuperação em relação ao último trimestre de 2025, mantendo-se consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026, enquanto o cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho”, diz o comunicado.
Juros nos EUA
O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve manteve os juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano pela terceira vez consecutiva como amplamente esperado pelo mercado.
A decisão não foi unânime: Stephen Miran votou em um corte de 0,25 ponto percentual.
Contudo, o que chamou a atenção do mercado foi a dissidência de outros três membros: Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan apoiaram a manutenção dos juros, mas sem sinalização de flexibilização monetária. Essa foi a maior dissidência desde 1992.
No comunicado, o Fomc afirmou que continuará monitorando as implicações das novas informações para as perspectivas econômicas e acrescentou que “estará preparado para ajustar a postura da política monetária conforme apropriado, caso surjam riscos que possam impedir o alcance de seus objetivos”.
Durante a coletiva de imprensa, o presidente do Fed, Jerome Powell, – que encerra mandato em maio – afirmou que permanecerá como membro do Conselho do BC norte-americano.