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Fim da ‘taxa das blusinhas’ impacta C&A (CEAB3), Renner (LREN3) e Riachuelo (RIAA3), veem analistas; qual o tamanho do baque?

13 maio 2026, 12:01 - atualizado em 13 maio 2026, 12:01
taxa das blusinhas
(Imagem: dj_aof/Getty Images)

A taxa das blusinhas voltou com tudo para o radar do mercado, após o governo federal anunciar o fim da cobrança do imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. Em reação, varejistas recuam em bloco na Bolsa no pregão desta quarta-feira (13).

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O ganho de espaço de nomes como Shein, Shopee, Temu e AliExpress no Brasil acendeu um alerta no varejo local, que passou a defender enfaticamente a necessidade de isonomia tributária para viabilizar a operação de negócios brasileiros.

Os preços atrativos de compras em marketplaces de fora atraíam consumidores, que usufruíam da isenção do imposto sobre essas compras. O início da discussão sobre o encerramento dessa isenção gerou um alvoroço há três anos, logo no início do governo Lula 3. Desde 2024, vigorava a taxação.

Pelo modelo anterior, compras internacionais estavam sujeitas a um imposto de importação de 20% somado ao ICMS, o que levava a uma carga tributária efetiva final próxima de 40% a 50%, variando conforme o estado e da categoria do produto.

De acordo com o governo, a medida busca aliviar a pressão sobre consumidores de menor renda e estimular o consumo em um cenário macroeconômico ainda frágil.

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Na leitura do BTG Pactual, no entanto, a decisão reabre de forma relevante o debate sobre a assimetria competitiva entre varejistas domésticos e marketplaces asiáticos.

“Antes da tributação original, encomendas importadas de baixo valor teriam superado 18 milhões de remessas por mês entrando no Brasil. Após a implementação da taxação, estimativas de mercado indicaram que esse volume caiu temporariamente para cerca de 11 milhões por mês no fim de 2024, antes de se recuperar gradualmente para a faixa de 15 milhões a 17 milhões, à medida que as plataformas ampliaram subsídios e melhoraram a eficiência logística”, ponderam os analistas.

Na visão do banco, a retirada da tarifa pode novamente acelerar essa expansão, especialmente nos segmentos de vestuário, acessórios, beleza e itens para o lar.

Do ponto de vista de preços, a reversão da taxação provavelmente restabelece parte da vantagem estrutural historicamente desfrutada pelos nomes de comércio transfronteiriço.

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Apesar dos desafios que as plataformas estrangeiras ainda enfrentam no Brasil — incluindo complexidade logística, volatilidade cambial e prazos de entrega — os analistas veem empresas expostas ao consumidor de renda média e baixa enfrentando uma concorrência estruturalmente mais difícil e menor poder de repasse de preços.

Essa dinâmica segue particularmente relevante para empresas como Lojas Renner, C&A e Riachuelo, na visão do BTG.

Ações de varejistas caem

Por volta de 11h45 (horário de Brasília), as ações da C&A (CEAB3), Lojas Renner (LREN3) e Riachuelo (RIAA3) operavam em queda, de 1,73%, 0,51% e 1,97%, respectivamente.

O BTG Pactual pondera que a resposta para o tamanho do impacto nas empresas locais de vestuário depende de várias variáveis-chave.

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Um dos aspectos a se considerar é que os nomes domésticos estão estruturalmente mais bem posicionados hoje em comparação a 2023–2024, após investimentos relevantes voltados a melhorar assertividade de produtos, gestão de estoques, flexibilidade de fornecimento e execução omnicanal.

Além disso, o posicionamento das plataformas estrangeiras também evoluiu, refletindo maior penetração de vendedores locais, esforços de localização e investimentos contínuos em infraestrutura logística no Brasil.

Durante o pico da pressão competitiva em 2023–2024, o crescimento de receita entre pares listados do setor de vestuário desacelerou para a faixa de um dígito baixo a médio, enquanto a intensidade promocional aumentou de forma significativa, destacam os analistas.

“Embora ainda vejamos a retirada dos impostos de importação como um fator negativo para os varejistas domésticos, o setor hoje parece operacionalmente mais preparado para enfrentar um ambiente competitivo mais desafiador”, pondera o banco.

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A principal discussão agora passa a ser se os nomes nacionais conseguirão sustentar as melhorias recentes em disciplina de margem bruta e qualidade de estoques enquanto enfrentam uma nova pressão sobre preços e participação de mercado em um ambiente competitivo mais agressivo.

Fim da taxa das blusinhas já rondava o mercado

Na avaliação do Citi, o fim da “taxa das blusinhas” já era amplamente esperada pelo mercado, o que limita o efeito-surpresa da medida.

“É importante notar que, embora a decisão deva reabrir parcialmente a diferença de preços entre produtos importados e nacionais, acreditamos que esse spread ainda tende a permanecer menor do que os níveis observados antes de 2024”, dizem os analistas do banco.

O Citi afirma que isso reflete mudanças estruturais implementadas ao longo do período, especialmente em precificação, logística e dinâmica competitiva, que reduziram parte da vantagem histórica das plataformas estrangeiras.

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Ainda que a medida seja negativa para varejistas locais como Lojas Renner, C&A e Riachuelo, o cenário competitivo não deve voltar exatamente ao patamar anterior à taxação, já que as empresas domésticas ajustaram sua operação e ganharam eficiência desde então, na visão do banco.

Em uma primeira leitura, o Bradesco BBI entende que as compras seguem sujeitas à tributação estadual de ICMS, com alíquotas variando entre 17% e 20%. Neste cenário, as categorias de menor ticket são as mais expostas à mudança, com destaque para vestuário, que já havia sido a principal categoria afetada antes do programa Remessa Conforme.

“As compras cross-border vêm perdendo tração no Brasil ao longo dos últimos dois anos, e nossa avaliação é de que o segmento de vestuário responde pela maior parte do volume de importações abaixo de US$ 50”, dizem os analistas.

Considerando que a queda no número de encomendas internacionais após a introdução do imposto, em agosto de 2024, foi majoritariamente concentrada em itens de vestuário, o BBI estima, em um cálculo simplificado, que o impacto positivo anualizado para o varejo local à época teria sido da ordem de R$ 2,2 bilhões.

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Com a reintrodução da isenção, e assumindo esse mesmo montante distribuído conforme a participação de mercado das varejistas de vestuário (Lojas Renner, C&A e Riachuelo), a estimativa da casa é de um impacto negativo médio de cerca de 1,0% na receita em 2026, efeito não desprezível em um ambiente de demanda comprimida, embora administrável.

Os analistas avaliam que as companhias estão operacionalmente mais eficientes do que em 2024 e que plataformas cross-border, como a Shein, perderam fôlego relevante ao longo dos últimos dois anos.

“No caso do Mercado Livre, a operação de cross-border trade (operação de vendas em que o produto é comprado em um site/plataforma no Brasil, mas é importado diretamente do exterior) ainda se encontra em estágio inicial no Brasil, com participação limitada no GMV, mas entendemos que a medida pode ser utilizada como um catalisador para acelerar ou reforçar uma iniciativa estratégica na qual a companhia já vem investindo esforços”, avalia a casa.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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