Economia

‘Nosso barco foi desenhado para outra tempestade’, diz Galípolo sobre inflação

13 maio 2026, 10:27 - atualizado em 13 maio 2026, 10:27
sabatina presidente banco central gabriel galípolo pix
(Imagem: Diogo Zacarias/MF)

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira (13) que a autoridade monetária seguirá vigilante aos “efeitos de segunda ordem” provocados por choques climáticos e geopolíticos sobre a inflação, em um ambiente de expectativas pressionadas e marcado por sucessivos choques de oferta globais.

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Em discurso durante a Conferência Anual do Banco Central 2026, o chefe da autoridade monetária disse que o mundo atravessa o “quarto choque de oferta em menos de seis anos”, em um cenário que desafia os instrumentos tradicionais de política monetária.

Segundo ele, os bancos centrais foram originalmente desenhados para enfrentar pressões inflacionárias ligadas ao excesso de demanda, mas agora precisam lidar com uma dinâmica mais complexa, impulsionada por fatores como conflitos geopolíticos e eventos climáticos extremos.

“Nosso barco foi desenhado para enfrentar outro tipo de tempestade”, afirmou, ao comparar a atuação do banco central à preparação de uma embarcação capaz de atravessar períodos de forte turbulência sem perder de vista o objetivo principal de controlar a inflação.

O presidente do Banco Central destacou que os choques recentes afetam diretamente a percepção da população sobre o custo de vida e criam um desafio adicional para a credibilidade das autoridades monetárias.

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“Hoje esse é um debate que chegou no cotidiano, na vida das pessoas. A dissonância entre muitas vezes os números oficiais e o sentimento das pessoas pelo fato de que os bancos centrais são desenhados para ter como objetivo uma meta de inflação, e as pessoas convivem com o nível de preços”, disse.

Na avaliação do chefe do BC, o principal desafio neste momento é separar os efeitos temporários dos choques de oferta dos chamados efeitos de segunda ordem, quando a alta inicial de preços começa a contaminar expectativas, salários e outros setores da economia.

“Neste momento, conseguir separar o que é efetivamente um processo de choque de oferta, seja por causa da questão do conflito geopolítico, seja porque a gente tem algum efeito climático, dos efeitos de segunda ordem que a gente precisa estar ainda mais vigilante do que estaria normalmente”, afirmou.

A fala ocorre em meio ao ambiente de inflação ainda pressionada no Brasil e no exterior, com o mercado monitorando os próximos passos da política monetária e o processo de convergência das expectativas inflacionárias.

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O presidente do Banco Central também reforçou que a autoridade monetária não irá se desviar de seu objetivo central de controle inflacionário.

“O Banco Central, toda vez que foi colocado em desafio, vai seguir dando essa resposta. Não vai se desviar daquilo que é o seu objetivo, que é o controle do processo inflacionário”, afirmou.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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