Economia

Focus mostra 7ª alta seguida na projeção para inflação e aumento na incerteza; que impacto isso pode ter na Selic?

27 abr 2026, 11:11 - atualizado em 27 abr 2026, 11:11
inflação ipca
(Imagem: Brenda Beth/Getty Images)

Pela sétima vez consecutiva, os economistas ouvidos pelo Banco Central elevaram as projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 no Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (27).

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A mediana das estimativas para a inflação passou de 4,80% para 4,86%, permanecendo acima do teto da meta perseguida pela autoridade monetária. O movimento reforça a percepção de uma desancoragem adicional das expectativas, que já começa a se estender também para horizontes mais longos.

Para 2027 e 2028, as projeções também avançaram, ainda que de forma mais moderada, indicando que o processo de convergência da inflação deve ser mais lento do que o anteriormente esperado pelo mercado.

Para comparação, antes do início da guerra no Oriente Médio, a mediana das projeções girava em torno de 3,91% — 0,95 ponto percentual abaixo do nível atual —, evidenciando a sequência de revisões altistas e sugerindo que as pressões inflacionárias seguem concentradas em fatores domésticos.

Para Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime, o movimento acende um alerta adicional para a política monetária. “Essa piora das projeções, mesmo com um câmbio mais benigno, indica uma desancoragem adicional no médio e longo prazo”, afirma.

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Segundo ela, esse cenário tende a limitar o espaço para cortes mais agressivos na taxa Selic ao longo dos próximos anos. “Com inflação mais alta e menos previsível, o espaço para queda de juros fica cada vez mais estreito”, destaca a profissional.

Mais incerteza no radar

Além da alta nas estimativas, o Boletim Focus também começa a indicar um aumento na incerteza. O desvio padrão das projeções para o IPCA de 2026 voltou a subir e se aproxima de 0,35, refletindo maior dispersão entre as estimativas dos economistas.

Na leitura de Kawauti, esse movimento reforça a cautela. “Quando o desvio padrão sobe, significa que o mercado está mais incerto sobre o cenário. Não é só uma inflação mais alta, mas menos previsível”, explica.

Na prática, isso significa que, além de esperar uma inflação mais elevada, o mercado também está menos confiante sobre sua trajetória, um cenário que tende a tornar ainda mais desafiadora a condução da política monetária pelo BC.

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Apesar da piora no cenário inflacionário, as apostas para a taxa Selic permaneceram estáveis em toda a curva. A expectativa é de que os juros encerrem 2026 em 13%, com recuo gradual apenas nos anos seguintes, o que sugere um espaço limitado para cortes mais agressivos.

Um dos pontos que mais chama atenção é que essa deterioração das expectativas ocorre mesmo em um ambiente de câmbio mais benigno. A projeção para o dólar ao fim de 2026 recuou para R$ 5,25, o que, em tese, deveria ajudar a conter pressões inflacionárias.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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