Guerra no Oriente Médio deve deixar herança inflacionária com impacto sobre juros, diz analista da Empiricus
O analista da Empiricus Research, Matheus Spiess, afirmou no Giro do Mercado desta terça-feira (26) que a guerra entre Estados Unidos e Irã e o consequente fechamento do Estreito de Ormuz deixarão uma herança inflacionária, com impacto especialmente sobre os juros e os ativos de risco.
No curto prazo, Spiess disse não esperar bons resultados para a prévia da inflação, o IPCA-15, que será divulgada nesta quarta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia (IBGE). Segundo ele, os números devem seguir em linha com os dados negativos tanto da prévia anterior quanto do encerramento de abril.
O analista ressaltou que as expectativas seguem desancoradas quanto ao teto da meta e o horizonte relevante de atuação da política monetária ainda se mantém acima do desejado.
Sobre os juros, ele afirmou que “se você tiver uma inflação ruim em uma atividade ainda resiliente, o Banco Central do Brasil (BC) não terá motivo para cortá-los”. Ainda assim, avalia que o BC deve promover ao menos mais um ou dois cortes de 0,25 ponto percentual na taxa Selic nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), em meio às incertezas geradas pelo conflito no Irã.
Spiess vê ainda uma possível retomada do ciclo de cortes, principalmente caso haja mudança na perspectiva fiscal — área em que identifica uma persistente falta de credibilidade do governo brasileiro.
“É um governo que lança [programas como o Desenrola 2.0] e gasta sem se comprometer com a responsabilidade fiscal. Pelo contrário: age como se age como se ela não existisse”, declarou o analista.
Diante de uma melhora na sinalização fiscal, ele acredita que pode haver retomada na queda dos juros.
Sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, o convidado do Giro do Mercado afirmou acreditar em um desfecho positivo, já que “isso é do interesse de todos”. No entanto, ponderou que o fluxo de navios dificilmente retornará aos níveis anteriores ao conflito, devido à adoção de novas rotas comerciais.
No médio e no longo prazo, Spiess vê um incentivo crescente à diversificação geográfica e energética por parte dos agentes econômicos, movimento que pode beneficiar a América do Sul. Como exemplo, citou a Venezuela e a Guiana Francesa como regiões produtoras de petróleo.
“E o Brasil também pode se beneficiar, não apenas com o pré-sal, mas olhando para novas fronteiras, como a foz do Rio Amazonas e a margem equatorial”, concluiu o analista.
*Com supervisão de Vitor Azevedo