Ibovespa ‘surfa na onda’ de Wall Street e sobe com apoio das blue chips; dólar avança a R$ 5,16
O Ibovespa (IBOV) completou a sétima alta consecutiva com apoio das blue chips e apetite a risco do exterior, em meio a retomada do otimismo com o setor de tecnologia focada em inteligência artificial.
Nesta quinta-feira (27), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com ganho de 0,31%, aos 175.135,41 pontos.
Já o dólar à vista encerrou as negociações a R$ 5,1620, com alta de 0,20%.
Por aqui, os investidores reagiram a uma bateria de dados domésticos. Entre eles, a taxa de desemprego no Brasil recuou para 5,3% no trimestre até julho de 2026, no menor patamar para o intervalo na série histórica iniciada em 2012.
Para André Valério, economista sênior do Inter, o mercado de trabalho continua bastante resiliente. “Continuamos a ver sinais de perda de dinamismo na ponta, consistente com o impacto restritivo da política monetária, que tende a agir com muita defasagem sobre o mercado de trabalho”, avaliou.
Para a Ativa Investimentos, os investidores também seguiram repercutindo a expectativa de corte de 0,25 ponto percential da Selic em setembro.
Já na visão de Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora, o Ibovespa permanece sustentado pela percepção de que a bolsa brasileira está descontada e pelo possível retorno do investidor estrangeiro, apesar do saldo negativo em agosto.
Altas e quedas do Ibovespa
A ponta positiva do Ibovespa foi liderada por Totvs (TOTS3), que subiu 6,41% (R$ 34,69), em meio ao rali global de tecnologia após resultados da gigante de semicondutores norte-americana Nvidia (NVDA). Já a ponta negativa foi encabeçada por Hypera (HYPE3), que caiu 3,45% (R$ 21,25).
A alta do índice, porém, foi patrocinada pelas blue chips, com destaque para Petrobras (PETR4;PETR3).
As ações da estatal avançaram com apoio do desempenho do petróleo no mercado internacional, com a retomada de ataques no Oriente Médio. Os papéis também foram beneficiados pela suspensão da cobrança do Imposto de Exportação do petróleo pela Justiça do Distrito Federal.
PETR3 subiu 3% (R$ 47,31) e PETR4 registrou avanço de 3,02% (R$ 42,70), sendo a ação mais negociada da B3.
Ainda entre os pesos-pesados, as ações da Vale (VALE3), que detêm 11% de participação do índice, tiveram avanço de 0,84% (R$ 79,11).
Já o setor de bancos limitou os ganhos: o Índice Financeiro (IFNC) subiu 0,05%, pressionado pela queda de 0,89% (R$ 39,10) do Itaú Unibanco (ITUB4).
Vale (VALE3), Petrobras (PETR4) e bancos correspondem a 50% da carteira teórica do Ibovespa.
Exterior
Os índices de Wall Street encerraram o pregão em alta, após os resultados de Nvidia (NVDA) reforçar a tese sobre inteligência artificial (IA).
A gigante de semicondutores reportou receita de US$ 96,2 bilhões no segundo trimestre, acima das expectativas de Wall Street, impulsionada por US$ 89 bilhões em vendas para data centers.
A companhia também divulgou a projeção de crescimento de 70% na receita no próximo ano fiscal e estimou vendas para o trimestre atual acima das expectativas do mercado, sinalizando que o boom dos investimentos em inteligência artificial (IA) permanece intacto.
“Em suma, o principal nome da tese de inteligência artificial reforça sua capacidade de capturar vendas em um mercado de chips cada vez mais competitivo, com uma série de novos players entrando nesse espaço”, afirma Matheus Spiess, analista da Empiricus Reseach.
Confira o fechamento dos índices:
- Dow Jones: +0,20%, aos 53.569,44 pontos;
- S&P 500: +0,72%, aos 7.730,99 pontos;
- Nasdaq: +1,57%, aos 26.541,352 pontos.
Na Europa, os mercados fecharam majoritariamente em queda. O índice pan-europeu Stoxx 600 caiu 0,69%, aos 651,85 pontos.
Na Ásia, os índices também terminaram no negativo: o índice Nikkei, do Japão, caiu 0,20%, aos 66.131,98 pontos, e o índice Hang Seng, de Hong Kong teve recuo de 0,34%, aos 25.565,74 pontos.