Economia

Itaú eleva projeções para inflação, PIB e Selic em 2026; confira o que está por trás das mudanças

01 jun 2026, 11:39 - atualizado em 01 jun 2026, 11:39
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(Imagem: iStock/ Rmcarvalho)

O Itaú Unibanco, em relatório de revisão de cenário macroeconômico, elevou as estimativas para a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o Produto Interno Bruto (PIB) e para a taxa Selic. Segundo o banco, com a nova piora do cenário inflacionário e a atividade ainda resiliente, isso limita ainda mais o espaço para corte de juros pelo Banco Central (BC).

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A projeção para o IPCA de 2026 subiu, de 5,2% para 5,4%, ainda mais distante do teto da meta inflacionária do BC, de 4,5%. A mudança, segundo o Itaú, reflete um maior efeito indireto do petróleo na inflação, o que encarece insumos e serviços ao longo das cadeias produtivas.

“Mesmo que, no curto prazo, a pressão por reajustes adicionais de combustíveis, especialmente gasolina, possa ser mitigada por medidas como cortes de impostos e subvenções, os efeitos indiretos do choque já começaram a aparecer nos índices de preços ao produtor e vêm se tornando mais visíveis no próprio IPCA, o que deve manter a inflação pressionada ao longo do ano”, avalia o Itaú no relatório.

Com isso, o banco acrescenta que o balanço de riscos permanece de alta para a inflação, com avanços adicionais de gasolina e diesel como o principal vetor de risco para 2026.

Para 2027, o Itaú também revisou para cima a projeção do IPCA, de 4,3% para 4,5%, ao incorporar a maior inércia inflacionária e os maiores preços previstos para alimentos. Isso, explica, reflete a expectativa de balanço mais apertado para commodities agrícolas ao longo do próximo ano, o que deve se traduzir em uma inflação de alimentos mais elevada.

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“O balanço de riscos permanece assimétrico para cima, principalmente em função da incerteza sobre a intensidade e a persistência do El Niño”, diz o banco.

PIB mais forte

Após crescimento de 1,1% da atividade no primeiro trimestre de 2026 na margem, além do conjunto de medidas fiscais e creditícias anunciadas recentemente pelo governo federal, o Itaú aumentou a expectativa de crescimento do PIB em 2026, de 1,9% para 2,1%.

“No cenário, incorporamos os impactos do Novo Desenrola e das linhas de financiamento subsidiado
voltadas à renovação da frota de ônibus e caminhões, bem como o impulso de transferências resultante da redução da fila do INSS”, afirma o banco.

Já para 2027, o Itaú manteve a estimativa de expansão de 1,7% do PIB. Segundo o banco, a esperada perda de fôlego do impulso fiscal deve ser parcialmente compensada, ao longo do tempo, por uma política monetária menos contracionista.

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E a Selic?

Diante das comunicações do BC sinalizando cautela na condução da política monetária em cenário de elevada incerteza, além da piora do cenário inflacionário enquanto atividade manteve solidez, a projeção da Selic terminal de 2026 do Itaú foi elevada, de 13,25% para 13,75%.

Ao avaliar o comportamento recente dos dados macroeconômicos, o banco considera que eles não abrem espaço para aceleração de corte, mesmo com alguma acomodação do preços de petróleo. O cenário base da instituição prevê mais três reduções de 0,25 ponto percentual na taxa Selic neste ano.

“Reconhecemos que o risco é que o ciclo de corte de juros seja interrompido ainda antes, com eventuais reduções adicionais condicionados a um comportamento mais benigno das expectativas e a sinais claros de desaceleração da atividade, condições que ainda não estão presentes”, complementa.

Para o próximo ano, o banco estima que a Selic terminal atinja 12,50%.

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Câmbio segue mantido?

O Itaú manteve as estimativas para a taxa de câmbio em 2026 (R$ 5,15) e em 2027 (R$ 5,35). Apesar da recente depreciação do real, a taxa de juros elevada, os termos de troca mais favoráveis e a rotação de portfólio para emergentes continuam como fatores de suporte para a moeda brasileira no curto prazo.

“Nossa projeção o, porém, segue incorporando alguma depreciação ao longo do ano, justificada pela volatilidade tipicamente observada nos anos de eleição”, afirma o banco.

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
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