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“Jogo de lego”: por que Yearn Finance decidiu se fundir com outros cinco protocolos?

05/12/2020 - 11:00
Traduzido e editado por Daniela Pereira do Nascimento
Yearn Finance fortaleceu sua posição no ecossistema DeFi com o anúncio de uma série de fusões e aquisições (Imagem: YFI Pulse)

Money legos” é um termo muito comum no setor de finanças descentralizadas (DeFi), pois se refere à capacidade de sair “encaixando” e unindo serviços parecidos a fim de criar um sistema robusto e completo. Yearn está cumprindo muito essa filosofia de “brincar, financeiramente, de lego”.

Yearn Finance é uma plataforma descentralizada que ajuda usuários a otimizarem suas posses de cripto por meio do uso de serviços de empréstimo como Aave, Compound, dYdX e Fulcrum.

Na última terça-feira (1º), Yearn Finance anunciou que irá explorar uma fusão com o protocolo DeFi SushiSwap. SushiSwap é uma plataforma de negociação de tokens e bifurcação da Uniswap que funciona com um modelo de liquidez de formação automática de mercado (AMM).

O acordo é um dentre cinco integrações sinergéticas que a plataforma Yearn Finance anunciou nas últimas duas semanas.

Yearn e os projetos fundidos poderão consolidar suas fontes de desenvolvimento, combinar o valor total de ativos bloqueados (TVL) em suas plataformas, acrescentar suas tesourarias e apresentar novos recursos humanos a seu processo de governança.

Segundo o site DeFi Pulse, o valor total de ativos da Ethereum bloqueados no Yearn Finance atualmente é de mais de US$ 430 milhões. SushiSwap será a maior plataforma DeFi com a qual Yearn irá se fundir.

Atualmente, o protocolo tem um TVL de mais de US$ 840 milhões de ativos bloqueados. O acordo continuará se for aprovado pelas comunidades de ambas as plataformas AMM.

Como parte do acordo, SushiSwap ajudará Yearn a lançar Deriswap — protocolo que combina swaps, opções e empréstimos com foco em eficiência de capital — e no desenvolvimento de outro projeto que ainda será anunciado.

Outras sinergias que irão surgir da fusão incluem a criação de novos “vaults” do protocolo Yearn para o token SUSHI e a implementação de ordens limites, “stop-loss” e “take-profits” no blockchain para fornecedores de liquidez da SushiSwap.

“Vaults” são pools de fundos que têm uma estratégia associada e criada para maximizar os possíveis rendimentos em pools de ativos DeFi.

As outras fusões anunciadas pela Yearn, em que cada uma inclui novos produtos e integrações, são:

25 de novembro: integração horizontal com a maximizadora de rendimentos Pickle Finance

Ambas as equipes por trás dos protocolos afirmaram que irão trabalhar juntas para impulsionar os conhecimentos compartilhados e aumentar a especialização  (Imagem: Crypto Times)

Yearn e Pickle Finance, dois protocolos que fornecem veículos de investimento de maximização de rendimentos parecidas para usuários DeFi, anunciaram um acordo de “reduzir o trabalho duplicado, aumentar a especialização e impulsionar conhecimentos compartilhados”.

Como parte do acordo, os “vaults” Pickle Jars e Yearn v.2, os respectivos produtos de otimização de rendimentos fornecidos pelos dois protocolos, irão se fundir e lançar um novo token chamado DILL. Tokens DILL são ganhos quando Pickle é votado.

Detentores do DILL podem participar na governança do Pickle e ganhar recompensas de impulsionamento dos vaults do Yearn. Yearn também ajudará Pickle a apresentar um sistema de medição (do inglês “gauge system”) para o sistema nativo do token PICKLE.

Os medidores irão informar sobre quanta liquidez usuários fornecem a Pickle Jars. Com base nesses medidores, a inflação do token PICKLE irá disparar para usuários que fornecem liquidez.

26 de novembro: integração vertical com a plataforma de empréstimos e alavancagem Cream

Desenvolvedores do Yearn e Cream irão se unir para lançar a segunda versão do Cream. Permitirá que usuários ganhem rendimentos e será uma launchpad (“plataforma de lançamento”) para futuros produtos de empréstimos colaborativos do Yearn e Cream.

As estratégias de “vaults” do Yearn também terão acesso à alavancagem por meio do Cream e participações em vaults do Yearn atuarão como garantia para empréstimos no protocolo Cream.

Swaps, empréstimos, seguros… o céu é o limite para o Yearn Finance (Imagem: Freepik/fullvector)

28 de novembro: integração vertical com a fornecedora descentralizada de seguros Cover Protocol

Uma publicação sobre a fusão afirma que a parceria permitirá que Yearn foque em seus excelentes “vaults” enquanto Cover se torna a fornecedora de cobertura para o conjunto de produtos do Yearn e para DeFi, como um todo.

Cover fornecerá uma vasta gama de cobertura e aceitar mais tipos de garantia. Yearn obtém cobertura para os vaults e poderá fornecer aos usuários um produto de risco reduzido. A equipe do Yearn também ajudará a lançar Cover 1.1.

Como parte desse novo lançamento, Cover lançará serviços como cobertura perpétua, um modelo que permitirá que clientes de seguro tenham proteção contínua, sem expiração. Isso é diferente do atual modelo que fornece soluções de seguros com uma data fixa de expiração e exige gestão ativa.

1º de dezembro: integração vertical com Akropolis, plataforma para o desenvolvimento de pools descentralizados de poupança e de empréstimos, liderados pela comunidade

Em novembro, o protocolo Akropolis, ainda não auditado, foi invadido e US$ 2 milhões na stablecoin DAI foram roubados (Imagem: Medium/Akropolis)

Segundo a publicação, a fusão permitirá que Akropolis se torne a fornecedora chamariz de serviços institucionais para os vaults e as soluções de empréstimos do Yearn.

O acordo terá uma nova versão do Akropolis. Vaults do Akropolis irão se fundir com os do Yearn e poderão ganhar tokens PICKLE por meio dos novos modelos medidores do PICKLE e terem acesso à alavancagem por meio do protocolo de empréstimos Cream.

Akropolis será lançado como uma nova aplicação com foco no serviço institucional, que combina o conjunto de produtos do Yearn e do Akropolis, e terá integração com a segunda versão do Cream.

A abordagem agressiva do Yearn em se conectar com menores empresas DeFi no setor parece ser uma via de mão dupla.

Pequenas equipes, que estão se conectando ao projeto, obtêm acesso às percepções de sua comunidade, de sua liquidez e de seu desenvolvimento enquanto Yearn obtém acesso exclusivo às ferramentas e aos recursos de projetos menores. Pode utilizar essas para melhorar seu conjunto de produtos.

Os projetos menores irão manter seus próprios tokens, produtos e regimes de governança nativos após as fusões. Essas equipes também têm a opção de aproveitar a grande rede Yearn de protocolos DeFi e garantir mais valor de seu conjunto de capacidades.

Investidores do token DeFi podem usar esses tokens de governança para investir na ampla rede Yearn, onde quer que considerem existir valor.

Se um investidor acha que o modelo de vaults Yearn tem muitas partes ou é muito arriscado, podem simplesmente investir em SUSHI e captar uma parte do protocolo AMM que existe na ampla rede Yearn.

Incrivelmente, essas parcerias entre protocolos de mercados monetários que operam milhões de dólares em ativos bloqueados operam sem intermediários e longos processos jurídicos.

Os acordos dão uma rasteira nos acordos de fusões e aquisições (ou M&As) dos bancos de investimentos tradicionais e estão ajudando a estabelecer YFI, o token nativo do Yearn Finance, como a via de acesso ao setor DeFi.

Desde 26 de novembro, o preço do YFI disparou de US$ 18.805 para US$ 28 mil.

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Última atualização por Daniela Pereira do Nascimento - 04/12/2020 - 21:49