Juros futuros fecham em baixa à espera de negociações entre EUA e Irã
A curva de juros futuros encerrou as negociações desta sexta-feira (24) em queda na expectativa de negociações entre Estados Unidos e Irã, preços do petróleo Brent abaixo de US$ 100 o barril e precificação de corte na Selic na próxima semana.
A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, caiu 4 pontos-base e fechou a 14,095% ante 14,140% do ajuste anterior.
Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações em baixa, a 13,470% ante 13,575% do fechamento anterior – um recuo de 10 pontos-base.
A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, terminou o dia a 13,540% ante 13,660% do fechamento da última quinta-feira (23), queda de 12 pontos-base.
Nos Estados Unidos, os rendimentos (yields) dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, registraram perdas.
O yield do Treasury de dois anos – mais sensível a política monetária – terminou a 3,785% ante 3,825% do ajuste anterior.
Já o retorno do título de dez anos – referência global para decisões de investimento – caiu a 4,306% ante 4,323% do fechamento anterior.
O que mexeu com os DIs hoje?
Os investidores continuaram a precificar o cenário geopolítico na curva de juros futuros, em meio a expectativa de uma nova rodada de negociações entre Washington e Teerã.
Hoje, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse a jornalistas que Trump planeja mandar os enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner para negociações com o Irã em Islamabad, e a dupla partirá ao Paquistão na manhã deste sábado (25).
Leavitt ainda disse que o governo Trump viu “algum progresso” do lado iraniano nos últimos dias, sem entrar em detalhes.
Ainda em entrevista à Reuters, Trump afirmou que o país persa planeja fazer uma oferta com o objetivo de satisfazer as exigências dos EUA.
Expectativa para Selic
Na próxima semana, os investidores devem concentrar as atenções nas decisões de política monetária. Nos EUA, o mercado espera a manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
Já no Brasil, a expectativa é um novo corte de 0,25 ponto percentual nos juros, levando a Selic para 14,50% ao ano.
Na quarta-feira (22) – dado consolidado mais recente – as opções de Copom negociadas na B3 precificavam 84% de probabilidade de corte de 25 pontos-base na próxima semana, contra 7% de chance de redução de 50 pontos-base.
Em 6 de abril, um dia antes de EUA e Irã fecharem o cessar-fogo de duas semanas, depois prorrogado, os percentuais eram de 55% e 21,1%, respectivamente.
Mais do que a reunião da próxima semana do Copom, o mercado discute atualmente o que o colegiado fará na reunião seguinte, em junho.
“Tenho dúvidas se ele (o Copom) faz mais uma (redução) de 25 (pontos-base) ou se para por aí”, comentou o economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, Gino Olivares. “Mesmo que o conflito no Oriente Médio acabe hoje, já se contratou um desequilíbrio econômico no mundo que vai durar alguns trimestres.”
*Com informações de Reuters