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Localiza (RENT3): A dor de cabeça que o governo criou para a locadora, segundo o JP Morgan

20 maio 2026, 14:30 - atualizado em 20 maio 2026, 14:30
Carros, Fenabrave, Veículos, Emplacamentos
Em fevereiro, 134.795 carros foram emplacados no país, com destaque para Polo, da Volkswagen (Imagem: Adobe Stock)

A nova linha de crédito subsidiado do governo federal para motoristas de aplicativo e taxistas pode representar uma dor de cabeça para as locadoras de veículos, especialmente para a Localiza (RENT3).

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Em relatório divulgado nesta terça-feira (20), o banco J.P Morgan avaliou que a medida tende a afetar negativamente o segmento de aluguel voltado ao ride-sharing, justamente um dos nichos que ganharam força nos últimos anos.

Segundo os analistas, a maior acessibilidade ao financiamento deve incentivar motoristas de aplicativo a comprarem seus próprios veículos em vez de alugarem carros das locadoras.

O banco cita diretamente o programa Zarp, da Localiza, que representa cerca de 6% a 7% da frota da companhia. A avaliação é que a operação pode perder tração caso parte dos motoristas migre para a compra financiada de automóveis.

Além disso, o JP destaca outro ponto de atenção: como o programa contempla apenas veículos novos, as locadoras deixam de capturar um possível benefício nas vendas de seminovos, uma importante frente de geração de receita do setor.

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Apesar disso, o banco classifica o impacto como “marginalmente negativo”. A instituição pondera que os descontos prometidos pelas montadoras, acima de 5% sobre os preços de tabela, não devem alterar de forma relevante a dinâmica do mercado, já que as fabricantes normalmente já comercializam veículos abaixo do preço oficial.

O que é o programa

O governo confirmou nesta terça-feira (19) uma nova linha do BNDES com R$ 30 bilhões destinados à compra de veículos novos por taxistas e motoristas de aplicativo, como Uber e 99.

O programa será válido apenas para carros de até R$ 150 mil, incluindo modelos flex, híbridos flex, elétricos e movidos exclusivamente a etanol. A expectativa do governo é financiar entre 200 mil e 300 mil veículos, algo próximo de 10% das vendas projetadas para 2026.

As taxas de juros serão de 12,6% para homens e 11,5% para mulheres, com prazo de pagamento de até 72 meses e carência de seis meses.

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Para aderir ao programa, motoristas de aplicativo precisarão comprovar cadastro ativo há pelo menos 12 meses e ter realizado ao menos 100 corridas na mesma plataforma nesse período. Já os taxistas deverão apresentar registro profissional regular.

Os veículos elegíveis precisam ser produzidos por montadoras participantes do programa Mover, entre elas Volkswagen, Toyota, BYD e GWM.

Quem pode sair ganhando

Se as locadoras tendem a sentir o peso da medida, o setor de autopeças pode colher os frutos. Na visão do JPMorgan, o programa deve gerar um impulso adicional de cerca de 10% nas vendas de veículos leves em 2026, favorecendo empresas expostas à cadeia automotiva doméstica.

O banco destaca principalmente a Mahle Metal Leve; Iochpe-Maxion e Nemak.

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A expectativa é que boa parte da demanda adicional venha de veículos eletrificados, categoria que já responde por mais de 18% das vendas de automóveis leves no Brasil.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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