Câmbio

Maior intervenção cambial desde 2004 não deve frear alta do dólar contra o iene, diz ING

01 jun 2026, 12:07 - atualizado em 01 jun 2026, 12:07
Notas de dólar e ienes ibovespa morning times
(Imagem: REUTERS/Florence Lo)

Entre abril e maio, o Japão injetou 11,7 trilhões de ienes (US$ 73,5 bilhões) no mercado de câmbio para dar suporte a moeda local, segundo o Ministério de Finanças do país, confirmando as especulações de intervenção que circulavam entre operadores.

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Essa foi a maior intervenção cambial no trimestre desde 2004, com início em 30 de abril, levando o USD/JPY de acima de 160 para abaixo de 156.

Nesta segunda-feira (1º), por volta de 11h50 (horário de Brasília), o iene operava a 159,71 por dólar.

Para o ING, o valor confirmado é “elevado” e “impressionante”, mas é difícil argumentar que a intervenção cambial japonesa deste ano tenha sido eficaz quanto a realizada em 2024.

“Há inclusive especulações de que as autoridades japonesas se sintam limitadas pelo sistema de classificação cambial do Fundo Monetário Internacional (FMI)”, diz o banco, em nota a clientes.

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O iene vem sendo pressionado pela a alta dos preços do petróleo tem pressionado o iene, uma vez que o Japão depende fortemente da importação de energia.

A pressão dos preços de energia agravou uma tendência de enfraquecimento de longo prazo em meio à abordagem cautelosa do Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês) em relação à normalização monetária após uma década de forte estímulo.

“Intervenções mais frequentes — acima de três ‘episódios’ em um período de seis meses — poderiam fazer com que o regime cambial do Japão fosse reclassificado de ‘livre flutuação’ para apenas ‘flutuação’, mais alinhado aos regimes de Brasil e Chile do que aos de seus pares do G7”, destacou Chris Turner, diretor global de Mercados e de Research para Reino Unido e Europa.

Tendência não deve mudar no curto prazo, segundo ING

O relatório do ING destaca que, a menos que o BoJ consiga, de alguma forma, “se antecipar à curva” e elevar os juros reais, é difícil enxergar uma mudança relevante na dinâmica do USD/JPY nos próximos meses.

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O banco espera uma alta de juros do BoJ na próxima decisão de política monetária, em 16 de junho, em linha com a precificação do mercado – com 78% de probabilidade de elevação nas taxas. Hoje, os juros no Japão estão a 0,75% ao ano.

Para o ING, o BoJ precisará promover uma alta bastante hawkish para reverter a recente deterioração dos diferenciais de juros reais contra o iene.

“Isso exigiria que o BC japonês conduzisse o mercado a esperar uma taxa de juros acima de 1,50% no próximo ano — algo que pode ser difícil no atual ambiente político”, avalia o diretor global, Chris Turner.

Além disso, o relatório destaca que “o mercado especulativo está muito menos vendido em iene”. Um dos fatores é que parte do mercado passou a considerar a possibilidade de o próximo movimento do Fed ser uma alta de juros, e não um corte.

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“Em 2024, a intervenção foi bem-sucedida porque o mercado especulativo estava fortemente vendido em iene e os juros norte-americanos estavam em queda antes do ciclo de cortes do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) iniciado naquele setembro”, lembra o diretor do ING.

Outro ponto observado é a relação das intervenções com o mercado de títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries. Segundo Turner, as autoridades japonesas aparentemente recorrem à venda de Treasuries para financiar as operações de suporte ao iene.

“As posições japonesas em Treasuries caíram cerca de US$ 100 bilhões em 2024 — aproximadamente em linha com os montantes das intervenções daquele ano”, destacou Turner.

Vale lembrar também que operações de venda de reservas cambiais são finitas e limitadas pelo tamanho das reservas internacionais. O Japão possui reservas elevadas, acima de US$ 1 trilhão, “mas não desejará perder entre 20% e 30% desse montante”, avalia o diretor.

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Mais intervenções adiante?

Diante do cenário atual, o ING considera que BC japonês provavelmente será chamado a agir novamente no câmbio nos próximos meses, à medida que o USD/JPY volte a ultrapassar 160. Nas contas do banco, a taxa de câmbio pode avançar para a faixa de 162 a 163 ienes por dólar no curto prazo.

“A menos que o petróleo ou os juros dos EUA caiam de forma dramática, o USD/JPY continuará pressionado para cima”, afirmou Turner.

A projeção do banco, por sua vez, é de 155 ienes por dólar no fim deste ano, condicionada a uma forte desaceleração do consumo nos EUA e de o Fed voltar a considerar cortes de juros.

“Isso parece cada vez mais uma história para mais adiante neste ano, enquanto o foco de curto prazo será o aumento do viés hawkish do Fed”, diz o relatório a clientes.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
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