Energia Elétrica

Ministro do TCU cobra Aneel sobre leilão de energia

19 maio 2026, 18:29 - atualizado em 19 maio 2026, 18:29
Jorge Oliveira, ministro do TCU (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Jorge Oliveira, ministro do TCU (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jorge Oliveira publicou despacho nesta terça-feira (19) afirmando não ver “óbice” para conceder uma medida cautelar que suspenderia parcialmente o leilão bilionário de capacidade de energia realizado pelo governo, mas decidiu que antes ouvirá a agência reguladora Aneel sobre o resultado do certame.

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Os dois leilões destinados a aumentar a segurança energética do Brasil negociaram quase 20 gigawatts (GW) em contratos para usinas termelétricas novas e existentes, de grupos como Eneva (ENEV3), Petrobras (PETR4) e J&F, na maior licitação já realizada no setor elétrico brasileiro.

O certame, porém, virou alvo de questionamentos e investidas em várias esferas, da Justiça ao Congresso, principalmente em função dos custos bilionários aos consumidores de energia.

O TCU já vinha acompanhando a atuação do Ministério de Minas e Energia na organização do certame e avalia uma “suspensão cautelar parcial da adjudicação e homologação dos produtos termelétricos, para evitar prejuízos irreversíveis ao sistema elétrico nacional e aos consumidores”, segundo o despacho de Oliveira, relator do processo.

“Os elementos constantes dos autos indicam que o LRCAP (leilão) 2026, na conformação adotada, apresentou falhas significativas na sua modelagem, na fixação de preços-teto e, possivelmente, na definição dos volumes de potência a ser licitados, especialmente no que tange aos produtos termelétricos que resultarão em custos excessivos aos consumidores”, disse o ministro.

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Ainda segundo ele, de acordo com informações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o setor elétrico brasileiro conseguiria fazer o atendimento de potência “sem a contratação dos produtos termelétricos do Leilão Aneel 2/2026”.

“Não haveria, assim, óbices à expedição da medida cautelar proposta”, acrescentou.

Apesar disso, o ministro do TCU apontou que a Aneel não realizou ainda a homologação e adjudicação dos primeiros contratos negociados no certame — processo que estava previsto para esta semana mas não entrou na pauta da reunião da agência devido à judicialização em curso.

“Visando garantir a efetividade da jurisdição desta Corte, também julgo pertinente determinar à Agência que comunique a este Tribunal, tempestivamente, a eventual intenção de dar seguimento ao certame”, afirma o despacho de Oliveira, no qual ele determina uma oitiva da Aneel.

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Potenciais atrasos na homologação do resultado do leilão vêm trazendo incertezas tanto os vencedores do certame, que precisam avançar com seus projetos e investimentos bilionários, quanto para o próprio planejamentro do setor elétrico, já que alguns contratos estão previstos para iniciar já este ano.

Na semana passada, executivos da Eneva afirmaram que a empresa já investiu R$2,2 bilhões nos projetos termelétricos que ganharam contratos no leilão e afirmaram que as “contestações incomodam”, apesar de não verem um risco maior para o negócio.

Já associações de consumidores de energia e industriais, como a Fiesp, estão questionando o resultado do leilão e pedindo revisões. O movimento União pela Energia, que reúne associações como Ibram (mineração), Anfavea (montadoras) e Instituto Aço Brasil, alegou nesta semana que houve um “volume excessivo de contratações sem comprovação técnica”, implicando em “aumento insustentável” do custo da energia.

O órgão regulador decidiu não analisar a homologação do certame nesta terça-feira para aguardar uma decisão da Justiça nas ações que questionam o leilão. O diretor da Aneel Fernando Mosna afirmou mais cedo que, caso não haja decisão judicial nos próximos dias, seria convocada uma reunião extraordinária para adjudicar o leilão até 21 de maio.

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A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.
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