MRV (MRVE3): Ações saltam 10% após balanço do 2T26, mas analistas divergem sobre resultado; veja preços-alvo e recomendações
As ações da MRV&Co (MRVE3), conglomerado que reúne empresas imobiliárias como MRV Incorporação, Urba, Luggo e Resia, operam em alta nesta quinta-feira (13), um dia após a companhia divulgar o balanço do segundo trimestre de 2026 (2T26). Entre analistas, porém, a avaliação dos números é mista.
Por volta das 10h50 (de Brasília), os papéis, que são negociados dentro do índice Ibovespa (IBOV), avançavam 10%, cotados a R$ 4,62, após abrirem o pregão a R$ 4,20. Acompanhe o tempo real.
O “custo” da Resia
Para a equipe de análise da XP Investimentos, a MRV&Co apresentou números “fracos”, principalmente porque reconheceu integralmente, no 2T26, as baixas contábeis (impairments) relacionadas à Resia, sua subsidiária do grupo nos Estados Unidos (EUA) que está em processo de encerramento.
Entre abril e junho, o conglomerado registrou prejuízo líquido consolidado de R$ 626,3 milhões, uma redução de 22,7% em relação ao prejuízo apurado no mesmo período de 2025.
O que mais pesou no balanço foi, de fato, a já esperada baixa contábil de US$ 110 milhões da operação norte-americana.
A divisão de negócios nos EUA reportou a perda por causa da venda de empreendimentos e terrenos abaixo do valor patrimonial, em meio a uma piora do mercado por lá.
Esta foi a segunda baixa contábil reportada pela MRV&Co. Há um ano, o grupo já havia comunicado um impairment de US$ 144 milhões no início do processo de venda dos ativos nos Estados Unidos.
Apesar do impacto no resultado consolidado, a XP avalia que as alienações da subsidiária norte-americana devem ajudar a reduzir a alavancagem do grupo.
Isso porque, com as vendas, o conglomerado espera uma redução de R$ 1,7 bilhão na sua dívida líquida, para R$ 4,6 bilhões, ante R$ 6,3 bilhões ao final de 2025.
“No geral, vemos os resultados como fracos, uma vez que a companhia reconheceu integralmente, no 2T26, os impairments referentes às vendas recentes da Resia. Só que, do lado positivo, o 3T26 pode apresentar melhora, sem o reconhecimento de impairments e com geração de caixa superior a R$ 1,5 bilhão”, disse a corretora.
“Mantemos nossa recomendação de compra para a ação, com base na trajetória de desalavancagem e no valuation, com o papel negociando a 3,1 vezes o múltiplo preço sobre lucro (P/L) estimado para 2027”, acrescentou.
O que diz o BBI
A equipe de análise do Bradesco BBI, por sua vez, classificou o balanço como “em linha”.
Para o banco, apesar do impacto negativo da operação nos Estados Unidos, a dinâmica do negócio principal no Brasil, especialmente na MRV Incorporação, continua evoluindo positivamente, com melhora contínua das margens.
A operação brasileira do conglomerado apresentou lucro líquido ajustado atribuível aos acionistas de R$ 155 milhões, alta de 28,2% em relação ao mesmo período do ano passado.
A margem bruta, de fato, manteve a trajetória de recuperação e atingiu 31,2%, avanço de 1 ponto percentual em um ano e o maior nível dos últimos sete anos.
Apesar disso, o BBI atualizou suas estimativas para a companhia, incorporando a potencial liquidação da Resia até o fim de 2027 e estabelecendo um novo preço-alvo de R$ 9 por ação, contra R$ 14 anteriormente.
“Nossas projeções consolidadas de lucro líquido foram reduzidas para 2026 e 2027 devido ao impacto da operação nos EUA e premissas ligeiramente mais conservadoras de margem no Brasil”, disse o banco.
“Acreditamos que, à medida que a empresa avançar na resolução dos desafios da Resia, o mercado passará a focar na operação brasileira, que negocia a múltiplos atrativos. Mantemos nossa recomendação de compra para os papéis”, acrescentou.
O que diz o Safra
Já o Safra avaliou os números do 2T26 da MRV&Co como “mistos”.
Na mesma linha das outras análises, o banco destacou que, por um lado, a empresa manteve a trajetória de recuperação em suas operações principais, com a MRV Brasil superando as expectativas de receita em 3% e registrando uma melhora sequencial de 40 pontos-base na margem bruta ajustada.
Por outro, porém, pontuou que a Resia continuou pesando sobre os resultados com a perda por impairment de R$ 570 milhões, num desempenho “pior do que o previsto”.
Ainda assim, a casa afirmou que a receita consolidada do grupo, que somou R$ 3 bilhões, ficou 4% acima das estimativas internas.
No entanto, ponderou que a MRV&Co reportou prejuízo líquido de R$ 540 milhões, contra uma estimativa de prejuízo de R$ 232 milhões.
“Após um primeiro trimestre mais fraco, as operações principais retomaram a trajetória de recuperação, com melhora na rentabilidade apesar das pressões inflacionárias. Embora a Resia tenha reportado um prejuízo líquido acima do esperado, o resultado refletiu uma perda por impairment referente ao último projeto de legado vendido e deve passar a pesar menos nos resultados consolidados daqui para a frente”, disse o Safra.
“Ainda assim, mantemos nossa recomendação neutra para MRVE3, aguardando um progresso mais significativo na desalavancagem para melhorar a visibilidade dos resultados. Após a recente desvalorização das ações do setor, consideramos as empresas pares com menos gargalos mais atraentes”, prosseguiu.
O que diz o BTG Pactual
Os analistas do BTG Pactual também avaliaram os resultados da MRV como “fracos e abaixo de suas estimativas“, principalmente devido às despesas financeiras e às despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A) acima do esperado nas operações brasileiras, além do impairment adicional nos Estados Unidos.
No caso da Resia, o banco destacou que a subsidiária já vendeu US$ 401 milhões em ativos no acumulado do ano. A expectativa é de que as transações reduzam significativamente a alavancagem da companhia assim que os recursos forem recebidos.
No caso da operação no Brasil, a casa pontuou que as despesas de SG&A e com juros ficaram acima do esperado, o que, somado a uma perda de R$ 87 milhões em total return swap, resultou em um prejuízo líquido de R$ 10 milhões para a MRV Brasil — um desempenho ligeiramente pior do que o previsto.
Por outro lado, o BTG ponderou a receita líquida brasileira foi de R$ 2,9 bilhões, alta de 10% em um ano e 1% acima da estimativa. A margem bruta ajustada alcançou 35,2%, avanço de 0,9 ponto percentual na comparação anual e 2 pontos acima da projeção.
“Avaliamos que a recuperação da MRV está levando mais tempo do que a maioria, inclusive nós, esperava, mas acreditamos que a venda de ativos nos EUA é fundamental para reduzir significativamente o risco das operações e conter a alavancagem, ao passo que as margens no Brasil se recuperam conforme o esperado”, afirmou o banco.
“Acreditamos que a dinâmica de resultados será fraca no curto prazo, mas as ações parecem muito descontadas em relação ao ‘potencial de lucro normalizado’ da MRV. Por isso, mantemos nossa recomendação de compra”, acrescentou.
O que diz o JP Morgan
Assim como BTG Pactual e XP Investimentos, o JP Morgan também considerou os resultados da MRV&Co como “fracos”.
Segundo o banco norte-americano, apesar da melhora no negócio principal da companhia, os resultados consolidados continuam pressionados pelas baixas contábeis da Resia.
“Embora reconheçamos que o negócio principal da empresa continua melhorando, os investidores só podem investir na MRV&Co como um todo, que mais uma vez foi impactada por prejuízos de R$ 616 milhões na Resia, resultando em um prejuízo consolidado de R$ 627 milhões”, afirmou.
Entre os principais pontos positivos do 2T26, o JP destacou a receita bruta de R$ 3 bilhões, 3% acima do consenso, além da margem bruta de 33,5%, 0,3 ponto percentual acima da projeção da instituição.
Já entre os pontos de atenção, destacou que o patrimônio líquido da operação norte-americana encerrou o 2T26 negativo em US$ 113 milhões, equivalente a cerca de R$ 585 milhões.
Além disso, pontuou que que as despesas de vendas, gerais e administrativas (SG&A) ficaram 3% acima das estimativas, em R$ 432 milhões, equivalente a 14,4% da receita, ante 14,1% projetado.
Confira as recomendações para MRV&Co (MRVE3):
| Instituição | Recomendação | Preço-alvo | Potencial de alta* |
|---|---|---|---|
| XP Investimentos | Compra | — | — |
| Bradesco BBI | Compra | R$ 9,00 | 114,3% |
| Safra | Neutra | R$ 7,00 | 66,7% |
| BTG Pactual | Compra | R$ 12,00 | 185,7% |
| JP Morgan | Neutra | — | — |